Queixa sobre operação no Martim Moniz é entregue à provedora de Justiça
6 de jan. de 2025, 11:06
— Lusa/AO Online
Os promotores pedem à
provedora de Justiça, Maria Lúcia Amaral, para averiguar e apurar a
legitimidade e proporcionalidade da atuação policial na Rua do
Benformoso. No texto da queixa, os
promotores lembram que a operação incluiu a revista de dezenas de
cidadãos encostados à parede, “perfilados e de mãos levantadas, sem
qualquer indicação de suspeita de prática de crimes”.“Tal
atuação configura, a nosso ver, uma utilização de meios
desproporcionais em relação aos fins anunciados: A forma como a operação
foi conduzida fere o princípio da proporcionalidade previsto no artigo
18.º da Constituição da República Portuguesa e também os direitos
fundamentais à dignidade da pessoa humana e à presunção de inocência”,
consideram.O texto defende que o que
aconteceu no dia 19 de dezembro foi uma “atuação desnecessária e
humilhante” por parte da PSP e que “a justificar-se uma intervenção na
zona, esta nunca pode implicar uma atuação simbólica e individualmente
vexante, quando a PSP tem ao seu dispor outros meios de atuação
proporcionais e adequados”. Entre os
subscritores da queixa estão a deputada Joana Mortágua (BE), a deputada e
ex-ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social Ana Mendes
Godinho (PS), o encenador Tiago Rodrigues, o deputado e sociólogo
historiador José Soeiro (BE), a promotora musical Maria Escaja e a líder
parlamentar do Livre, Isabel Mendes Lopes.Está também agendada uma manifestação
para dia 11 de janeiro, que descerá a Avenida Almirante Reis, em
direção ao Martim Moniz, em Lisboa.