Quatro pessoas desenvolveram cancro após transplante de órgãos do mesmo dador
19 de set. de 2018, 19:15
— Lusa/AO online
Rins,
pulmões, fígado e coração foram retirados de um mesmo dador para serem
implantados em quatro recetores diferentes e todos eles acabaram por ter
cancro da mama depois da operação, segundo um estudo publicado no
American Journal of Transplantation, que foi hoje divulgado. Os quatro doentes desenvolveram metástases e três deles morreram. O
quarto doente conseguiu sobreviver depois de os médicos terem voltado a
remover um dos rins doados e após ser submetido a múltiplos
tratamentos.A
dadora, de 53 anos, não tinha nenhum problema médico conhecido, nem
muito menos lhe foi diagnosticado qualquer tumor maligno nos seus
órgãos.O autor
do estudo, professor de Nefrologia na Universidade de Amesterdão,
Frederike Bemelman, qualificou este caso como "extremadamente raro".“Há sempre um pequeno risco (…). Também há uma pequena probabilidade de que algo aconteça no processo”, comentou o especialista.A
transmissão de uma neoplasia - cancro - após um transplante de um órgão
acontece apenas cerca de cinco vezes em 10.000 intervenções e na
maioria dos casos a tecnologia disponível não permite que seja detetada
antes da doação.A
Diretora de Serviços Médicos da Organização Internacional de
Transplantes, Elisabeth Coll, afirmou à agência EFE que "estes casos
infelizes acontecem excecionalmente, porque são impossíveis de serem
detetados antes”.“Antes
de se fazer um transplante de qualquer órgão são realizados todos os
testes possíveis para descartar qualquer transmissão neoplásica”,
salientou a responsável.