Quatro horas para debater o ano parlamentar da pandemia
Estado da nação
23 de jul. de 2020, 11:36
— Lusa/AO Online
O debate sobre o estado da nação - criado em
1992, durante a maioria absoluta do PSD e de Cavaco Silva - é,
regimentalmente, sobre "política geral", sendo o chefe do executivo o
primeiro a discursar, que, depois, é "sujeito a perguntas dos grupos
parlamentares, seguindo-se o debate generalizado".O
início do plenário está marcado para as 15:00 e a grelha de tempos
prevê 232 minutos de discussão, ou seja, quase quatro horas.Depois
da intervenção inicial de António Costa, que poderá durar até 40
minutos, os partidos terão direito a pedidos de esclarecimento e
intervenções, pela seguinte ordem: PSD, PS, BE, PCP, CDS-PP, PAN, PEV,
Chega e Iniciativa Liberal (IL).De acordo
com o 'site' do parlamento, o primeiro pedido de esclarecimento de cada
partido poderá ter a duração de cinco minutos e os restantes de dois.O
primeiro-ministro "responderá individualmente, sem direito de réplica, a
cada um dos primeiros pedidos de esclarecimento, e em conjunto, se
assim o entender, aos restantes pedidos dos grupos parlamentares".O
encerramento cabe ao Governo, que, para tal, tem dez minutos.
Habitualmente, é um ministro, e não António Costa, a fazer esse discurso
– em 2019, foi o então ministro das Finanças, Mário Centeno.Dos
líderes partidários, apenas o presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues
dos Santos, não é deputado e não estará no hemiciclo.As
intervenções principais serão efetuadas por Rui Rio, do PSD, Catarina
Martins, coordenadora do BE, Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP.
No CDS, caberá a Telmo Correia, líder parlamentar, a intervenção
principal.Este será o primeiro debate do
estado da nação em que participam mais dois partidos, o Chega, de André
Ventura, e a IL, de João Cotrim Figueiredo. No hemiciclo há já duas
deputadas independentes – Joacine Katar Moreira (ex-Livre) e Cristina
Rodrigues (ex-PAN). Após meses, de março a
junho, de clima de tréguas políticas, em que foram aprovadas na
Assembleia da República leis de resposta ao surto pandémico com apoios à
esquerda e à direita, o ambiente político voltou a adensar-se no
Orçamento Suplementar para fazer face às despesas com a pandemia que
quase paralisou e pôs o país em estado de emergência.Pela
primeira vez em cinco anos, PCP e PEV, ex-parceiros dos socialistas na
chamada “geringonça”, votaram contra e o PS ficou isolado no voto
favorável. Votaram também contra o CDS, Chega e IL. PSD, BE, PAN e a
deputada não inscrita (ex-PAN) Cristina Rodrigues abstiveram-se.Em
2019, o debate do estado da nação, último antes das eleições de
Outubro, António Costa fez o elogio à estabilidade em tempos de
entendimento à esquerda, ou da chamada “geringonça”, e ao feito de se
ter conseguido “o défice mais baixo da democracia”.“A
estabilidade política, a previsibilidade das políticas, a normalidade
institucional, o respeito pela Constituição são elementos fundamentais
para o ganho desta legislatura: a recuperação da confiança”, disse."Nem o Diabo apareceu nem a austeridade se disfarçou", disse, numa frase que gerou burburinho no hemiciclo.