Quatro casos suspeitos em Portugal de hepatite de origem desconhecida

4 de mai. de 2022, 14:26 — Lusa/AO Online

Os quatro casos suspeitos foram identificados nas regiões de saúde do Norte, Centro e Lisboa e Vale do Tejo e todos testaram negativo para hepatite A, B e C e para o vírus SARS-CoV-2, aguardando-se ainda resultados para a hepatite E em duas situações, revela a DGS em comunicado.Segundo a autoridade de saúde, um dos casos já testou positivo para adenovírus, tendo a amostra sido enviada para sequenciação ao Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.Refere ainda que as crianças apresentaram um quadro clínico de hepatite aguda, estando em curso a avaliação laboratorial complementar e a avaliação epidemiológica.“As crianças tiveram sintomas em abril e estiveram internadas, mas nenhuma apresentou complicações graves, tendo recuperado do quadro clínico”, afirma a autoridade de saúde, sublinhando que se encontram em investigação fatores epidemiológicos como viagens ou ligações entre os casos, em colaboração com o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC).No contexto do surto internacional, foi constituída uma ‘taskforce’ pela DGS, que inclui especialistas da Sociedade Portuguesa de Pediatria (SPP).Perante uma doença de causa ainda desconhecida, e que se encontra em investigação, a DGS recomenda o reforço de medidas gerais de proteção individual, como a higiene das mãos, a etiqueta respiratória, o arejamento e ventilação dos espaços interiores ou a limpeza e desinfeção frequente de equipamentos e superfícies.Caso uma criança apresente sintomas respiratórios e gastrointestinais deverá evitar, como habitualmente, creches ou estabelecimentos de educação ou ensino.“Devido à necessidade de melhor compreender este quadro”, a DGS refere que tem participado formalmente em diversas reuniões de trabalho com os seus homólogos, através do Programa Nacional para as Hepatites Virais, em parceria com a SPP. “A DGS continua a acompanhar a situação a nível nacional e internacional e atualizará a informação epidemiológica e de saúde sempre que se justificar”, lê-se no comunicado.A SPP publicou um documento a explicar o que é a hepatite em idade pediátrica, em que afirma sobre esta hepatite de etiologia desconhecida que “mais de 90% das crianças recuperou espontaneamente”.No passado dia 15 de abril, a Organização Mundial de Saúde lançou um alerta sobre o aumento do número de casos de hepatite aguda grave em crianças saudáveis. Até ao momento o maior número de casos ocorreu na Europa, sobretudo no Reino Unido e foi mais frequente entre os 3 e os 5 anos de idade.