Quase um quarto dos portugueses sente-se mal com o que vê nas redes sociais
Hoje 10:34
— Lusa/AO Online
Os dados constam do
European Consumer Payment Report (ECPR), divulgado a propósito do Dia
Mundial das Redes Sociais, que se assinala na terça-feira, e revelam que
76% dos portugueses consideram que estas plataformas promovem
expectativas financeiras pouco realistas, acima da média europeia de
70%.De acordo com o estudo, os
consumidores com maior fragilidade financeira são os mais suscetíveis a
fazer compras por impulso e a contrair dívidas para tentar acompanhar os
estilos de vida exibidos por influenciadores digitais.Entre
os consumidores classificados como “frágeis”, 38% afirmam que os
padrões de vida apresentados por influenciadores prejudicaram a sua
saúde mental, enquanto entre os consumidores considerados “resilientes”
essa percentagem desce para 19%.O estudo indicou também que os jovens são particularmente afetados.Entre
a geração Z, 19% dizem ter contraído dívidas na tentativa de replicar
estilos de vida vistos nas redes sociais e 46% relatam uma deterioração
da saúde mental associada a essa exposição.Segundo
o estudo, os hábitos de utilização das redes sociais variam entre
grupos socioeconómicos, sendo os adolescentes de famílias com menores
rendimentos mais propensos a referir comportamentos aditivos
relacionados com estas plataformas.A investigação concluiu ainda que as redes sociais influenciam diretamente os comportamentos de consumo.Cerca
de 34% dos portugueses afirmam ter feito compras por impulso após
visualizar publicidade nestes canais digitais, embora o valor represente
uma descida face aos 40% registados em 2024.Ainda assim, 14% dos inquiridos indicam que a pressão exercida por influenciadores os levou a contrair dívidas.O
estudo analisou igualmente o impacto das soluções de pagamento
diferido, conhecidas como “Compre Agora, Pague Depois” (BNPL, na sigla
inglesa).Em Portugal, 31% dos consumidores
admitem sentir-se mais inclinados a realizar compras quando esta opção
está disponível, percentagem que sobe para 32% entre os homens e se fixa
nos 30% entre as mulheres.Nas regiões do
Algarve, Madeira e Açores, a influência desta modalidade de pagamento na
decisão de compra é inferior à média nacional, situando-se entre 24% e
25%.Citado em comunicado, o diretor-geral
da Intrum Portugal, Luís Salvaterra, considerou que a exposição contínua
a padrões de vida idealizados gera sentimentos de exclusão e
frustração, com efeitos na autoestima e no bem-estar financeiro dos
consumidores.O European Consumer Payment
Report é publicado anualmente pela Intrum desde 2013 e baseia-se num
inquérito realizado em 20 países europeus, com a participação de 20.000
consumidores, 1.000 em cada país, incluindo Portugal.