Quase todas as crianças receberam todas as vacinas recomendadas em 2022
26 de abr. de 2023, 06:54
— Lusa/AO Online
“Mesmo
durante os anos da pandemia e agora (em 2022), em que estamos numa fase
de normalização, continuamos com excelentes resultados no PNV, com
excelentes taxas de cobertura”, salientou à agência Lusa Teresa
Fernandes.Os dados da Direção-Geral da
Saúde (DGS), divulgados na Semana Mundial da Imunização, indicam que, no
primeiro ano de vida, 98% a 99% das crianças foram vacinadas com todas
as vacinas e doses previstas no PNV para essa faixa etária.A
cobertura vacinal nas crianças até aos sete anos de idade também foi
elevada, ultrapassando a meta dos 95% na maioria das vacinas, enquanto
nos adolescentes ficou em mais de 90% e nos adultos acima dos 80%,
adiantou ainda a DGS na avaliação de 2022 do programa.Quanto
à vacinação completa de raparigas com a vacina do HPV (papilomavírus
humano), passou a meta de 85% a partir do ano em que completam os 12
anos, mesmo durante a pandemia, enquanto a cobertura vacinal dos rapazes
revela uma “excelente adesão à vacinação”, com coberturas muito
próximas das obtidas no sexo feminino para a primeira dose.No
entanto, como a vacinação dos rapazes só foi introduzida em 2020, ainda
não foi possível atingir a meta dos 85% para o esquema vacinal
completo, o que quer dizer que “esta vacina ainda não atingiu a rotina
na população masculina”, reconhece a DGS.De
acordo com os dados de 2022 do PNV, a cobertura vacinal das grávidas,
para proteger o recém-nascido contra a tosse convulsa, mantém também
níveis elevados de cerca de 90% e, desde a implementação da vacinação na
gravidez, em 2017, que a “incidência da doença desceu
significativamente”.O cumprimento da
vacinação de reforço contra o tétano e a difteria ao longo da vida
variou entre 97% para quem completou dois anos de idade, 83% para quem
tem 45 anos, e 84% aos 65 anos.Para a
coordenadora do programa, a cultura vacinal que se verifica em Portugal
deve-se ao facto de o PNV ter tido “um bom berço” quando foi criado em
1965, com um planeamento e organização que fez com que a vacinação se
“tornasse acessível a todas as pessoas, qualquer que fosse a sua
condição social e económica”.“As pessoas
foram confiando ao longo do tempo” na importância da imunização,
adiantou Teresa Fernandes, ao salientar que os princípios da
gratuitidade e da universalidade da vacinação em Portugal também
“ajudaram a fortalecer o PNV”.Como exemplo
da agilidade e da acessibilidade da vacinação no país, a coordenadora
do PNV adiantou que, ao contrário do que se verifica em muitos outros
países, em Portugal não é necessário marcar uma consulta médica para se
ser vacinado, além de que o Serviço Nacional de Saúde disponibiliza uma
rede de unidades vacinadoras em todo o território.“Mesmo
em 2020 e 2021, que foram anos fortes da pandemia, não houve uma perda
de coberturas vacinais. A nível internacional, há alguma tendência de
descrédito e de as pessoas procurarem informação não credível sobre a
vacinação, mas em Portugal as pessoas continuam a acreditar na
vacinação”, assegurou Teresa Fernandes.Segundo
disse, o PNV está em constante avaliação e foi revisto pela última vez
em 2020, sendo possível que, em breve, sejam atualizadas as estratégias
de acordo com novas vacinas que estão agora disponíveis no mercado.A
Organização Mundial da Saúde (OMS) está a assinalar a Semana Mundial da
Imunização, uma iniciativa que decorre anualmente na última semana de
abril e que, este ano, pretende sensibilizar para a importância de
recuperar as taxas de vacinação para os níveis de 2019, depois de terem
baixado devido à pandemia da covid-19.Dados
da OMS indicam que, a nível mundial, 25 milhões de crianças perderam
pelo menos uma vacina essencial em 2021 e 18 milhões não receberam
nenhuma vacina, uma situação que se verificou especialmente nos 20
países de com menores rendimentos, onde vivem mais de três quartos das
crianças que não foram imunizadas.Segundo a
DGS, as vacinas que integram o PNV são as consideradas de primeira
linha, isto é, que são comprovadamente eficazes e seguras e de cuja
aplicação é possível obter os maiores ganhos em saúde.