Quase metade dos franceses quer que Le Pen seja candidata ao Eliseu
4 de abr. de 2025, 19:15
— Lusa/AO Online
A sondagem Ifop-Fiducial
para a Sud Radio foi realizada após a sua condenação em tribunal por
desvio de fundos europeus, que a tornou inelegível para cargos públicos
durante cinco anos, com efeito imediato, e a condenou a quatro anos de
prisão (dois dos quais de pena efetiva, atenuados para uso de pulseira
eletrónica).Pelo contrário, 51% dos
franceses não querem que a dirigente da União Nacional (UN) possa
apresentar-se como candidata à Presidência da República de França, um
resultado inferior em sete pontos percentuais a uma sondagem anterior,
realizada no final de fevereiro.Mas de
acordo com a mesma sondagem, apenas 37% dos franceses pensam que Le Pen
poderá vir a ser candidata presidencial, um resultado que caiu 37 pontos
percentuais num mês. Apenas os apoiantes do UN (69%) acreditam
maioritariamente que a sua candidata poderá concorrer.Uma esmagadora maioria dos inquiridos (79%) considera que Marine Le Pen é de extrema-direita, 76% dos quais apoiantes da UN.O
estudo de opinião, realizado por questionário ‘online’ a 01 e 02 de
abril junto de uma amostra de 1.000 pessoas representativas da população
francesa com mais de 18 anos (método das quotas), tem uma margem de
erro de entre 2,8 e 3,1 pontos percentuais.O
Tribunal Penal de Paris decidiu, a 31 de março, que foi posto em
prática um “sistema” entre 2004 e 2016 para fazer “poupanças” no partido
de extrema-direita Frente Nacional (que se tornou União Nacional em
2018), utilizando o dinheiro do Parlamento Europeu para pagar aos
assistentes dos deputados que na prática trabalhavam para o partido.Mais 23 pessoas foram condenadas, juntamente com o partido, neste caso.A
União Nacional convocou para o próximo domingo uma manifestação em
Paris de apoio a Le Pen, tal como anunciado no próprio dia 31 de março à
noite pelo líder da UN, Jordan Bardella, que encorajou a
extrema-direita a sair à rua para protestar contra a decisão judicial.Parte
da oposição francesa classificou tal manifestação como um protesto
contra a independência do poder judicial em França, um princípio que
constitui um dos pilares da democracia.