Quase metade dos açorianos não teve consulta com um médico dentista em 2025
Hoje 09:18
— Filipe Torres
Quase metade dos residentes na Região Autónoma dos Açores com 16 ou mais anos não consultou um médico dentista nos 12 meses anteriores à entrevista. A proporção fixou-se em 46,3%, um valor superior ao registado no conjunto de Portugal, onde 40,4% da população declarou não ter recorrido a cuidados de saúde oral no mesmo período, segundo o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento de 2025 realizado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).Entre os açorianos, 41,5% realizaram uma ou duas consultas de medicina dentária e apenas 12,2% indicaram ter feito três ou mais consultas. A nível nacional, a percentagem de pessoas com três ou mais consultas é significativamente mais elevada, atingindo 19,6%, enquanto 40% tiveram uma ou duas consultas.Medicina geral e familiar com níveis mais elevadosNo que respeita às consultas de medicina geral e familiar, a realidade é distinta. Em 2025, 79,5% da população residente em Portugal com 16 ou mais anos referiu ter consultado um médico desta área nos 12 meses anteriores à entrevista. Este valor representa um aumento face a 2022 (75,5%) e situa-se ligeiramente abaixo do registado em 2017 (81,3%) .Regionalmente, a proporção de pessoas que recorreram a consultas de medicina geral e familiar foi superior à média nacional nas regiões Norte, Alentejo e Oeste e Vale do Tejo. Pelo contrário, nas regiões autónomas verificaram-se valores mais elevados de residentes que não tiveram qualquer consulta desta natureza: 25% nos Açores e 26,9% na Madeira.Consultas de especialidade abaixo da média nos AçoresTambém nas consultas com outros médicos especialistas os Açores apresentam valores inferiores à média nacional. Mais de metade dos residentes na Região (52,8%) não teve qualquer consulta de especialidade nos 12 meses anteriores à entrevista, comparando com 46,7% no conjunto do país.Apenas 33,9% dos açorianos realizaram uma ou duas consultas de especialidade e 13,3% três ou mais. Em Portugal, 32,7% tiveram uma ou duas consultas e 20,6% três ou mais.A nível regional, a Grande Lisboa destacou-se por apresentar a maior proporção de residentes que recorreram a consultas de especialidade (58,1%) e também a maior percentagem de três ou mais consultas (25,9%). Em sentido contrário, no Algarve (47%) e na Região Autónoma dos Açores (47,2%) foram menos de metade os residentes que recorreram a consultas de especialidade.Açorianos não sentem grande encargo financeiro nos cuidados de saúdeNo que toca ao peso financeiro dos cuidados dentários, 11,7% das famílias açorianas classificaram os encargos com cuidados dentários como “muito pesados” e 36,6% como “algo pesados”. Ainda assim, 48,2% consideraram que não representam um encargo pesado.No total do país, 15,6% das famílias consideraram os encargos com cuidados dentários muito pesados e 31,6% algo pesados, enquanto 45,7% afirmaram que não constituem um encargo pesado.Relativamente aos cuidados médicos em geral, 9,3% das famílias açorianas classificaram os encargos como muito pesados e 31,8% como algo pesados. Por sua vez, em Portugal, no geral, esses valores foram de 11,3% e 28,1%, respetivamente.No caso dos medicamentos, 11,8% das famílias nos Açores consideraram o encargo muito pesado e 36,6% algo pesado, enquanto a nível nacional 13,7% classificaram como muito pesado e 32% como algo pesado.