Quase metade das mulheres vítimas de violência nunca contou a ninguém
21 de nov. de 2017, 14:49
— Lusa/AO Online
“A violência contra as mulheres é um problema muito maior do que as
estatísticas mostram”, afirma em comunicado o EIGE, que alertou para
este problema numa conferência sobre o Índice de Igualdade de Género
2017, que decorreu hoje no Parlamento Europeu, em Bruxelas.
Segundo o instituto, quase uma em cada duas mulheres (47%) que sofreu
violência nunca disse a ninguém, “seja à polícia, serviços de saúde, um
amigo, vizinho ou colega”. "A
violência contra as mulheres é tanto uma causa como uma consequência da
desigualdade de género”, afirma a diretora do EIGE, Virginija Langbakk.Virginija
Langbakk sublinha que “nas sociedades que toleram a violência”, os
agressores não são punidos, as vítimas são culpadas e as “mulheres têm
menos probabilidades de falar sobre isso”. Para
acabar com essa “cultura de silêncio e de culpa das vítimas”, são
necessárias respostas “mais fortes dos governos, da polícia e da
justiça”. “As
mulheres devem saber que as suas queixas serão levadas a sério e a
justiça será feita para que possam recuperar as suas vidas", frisa.À
luz das recentes denúncias divulgadas na comunicação social, o
Parlamento Europeu apresentou uma resolução para o combate ao assédio e
ao abuso sexual.O
Parlamento Europeu exige uma abordagem de tolerância zero em relação ao
assédio sexual, encoraja as vítimas a falar e exorta os políticos a
atuarem como modelos responsáveis na prevenção e combate do assédio
sexual."O
assédio sexual não é inofensivo e tem um custo elevado para as pessoas,
as suas famílias e o resto da sociedade”, alertou a responsável. Para
acabar com a violência, “precisamos urgentemente de enfrentar a
impunidade e o estigma social, que levam a uma subnotificação”. “Os
homens e os rapazes também têm de ser envolvidos na prevenção da
violência, porque a igualdade de género é responsabilidade de todos",
diz a também presidente do Comité do Parlamento da UE sobre os Direitos
da Mulher e a Igualdade de Género.Para
ilustrar o espetro da violência, o EIGE desenvolveu uma nova
ferramenta, como parte do Índice da Igualdade de Género, que avalia as
várias formas de violência contra as mulheres, desde o assédio sexual
até à morte.Também
ajuda a medir outras formas de violência, como o tráfico de seres
humanos, a violência entre parceiros íntimos, agressões sexuais e
violações. “Pela primeira vez, temos uma pontuação comparável para violência contra mulheres na UE e em cada Estado-membro”, explica.
A pontuação da UE é de 27,5 em cada 100 (quanto maior a pontuação, pior
a situação), mostrando que “o fenómeno é prevalente, grave e pouco
relatado”. As
pontuações variam entre 22,1 na Polónia a 44,2 na Bulgária. A alta
pontuação na Bulgária deve-se principalmente à taxa de não-divulgação da
violência, que é mais de três vezes a média da UE (48,6 e 14,3,
respetivamente).Segundo
o Eurobarómetro de 2016, 15% dos europeus ainda consideram a violência
doméstica como uma questão privada, mas as coisas começaram a mudar nos
últimos tempos e as mulheres estão a denunciar mais.As
recentes alegações de assédio sexual em Hollywood levaram à campanha
mundial #MeToo que pretende quebrar o silêncio sobre o assédio sexual e a
violência contra as mulheres.