Quase 60% portugueses fica com menos de 20% de rendimento após pagar contas
Covid-19
7 de dez. de 2020, 17:19
— Lusa/AO Online
"Devido à pandemia covid-19, 59%
dos portugueses inquiridos afirma ficar com menos de 20% do seu
rendimento após pagar as suas contas", um valor que é "superior à média
europeia, de 41%", refere o estudo ECPR - European Consumer Payment
Report 2020, realizado em plena pandemia, entre agosto e outubro, da
Intrum.O estudo tem "por objetivo a
partilha de informação sobre a vida quotidiana dos consumidores
europeus, os seus hábitos de despesa e a capacidade de gerir as suas
finanças domésticas mensalmente", refere.De
acordo com o barómetro "bem-estar financeiro Intrum", na categoria
"capacidade de pagar as contas", Portugal está em 22.º lugar na lista de
24 países europeus, "posicionando-se assim entre os três últimos países
da classificação".O relatório anual
baseia-se num inquérito externo realizado simultaneamente em 24 países
na Europa, num total de 24.198 consumidores."O
estudo da Intrum revela ainda que os jovens adultos e os pais são os
grupos etários que estão mais vulneráveis, encontrando-se sob grande
pressão", de acordo com o estudo."Cerca de
um terço dos europeus afirma que o seu rendimento diminuiu como
resultado da covid-19 e 25% admite que possa vir a diminuir em breve",
sendo que, "em Portugal, 49% dos homens dizem que o seu rendimento
diminuiu na sequência da pandemia, um valor substancialmente superior à
média europeia, que é de 36%". Das medidas
analisadas para respoder à situação, em Portugal a mais mencionada
pelos inquiridos foi o corte de gastos em bens não essenciais (62%),
ligeiramente acima da média, que é 57%."A
preocupação com o futuro e o aumento do stress e ansiedade atinge cada
vez mais os portugueses", adianta o estudo, que salienta que "as faixas
etárias dos 22 aos 37 anos (61%) e dos 45 aos 54 anos (63%) afirmam
estar, neste momento, mais preocupadas com o seu bem-estar financeiro do
que em qualquer outro momento da sua vida". "A
crise covid-19 terá um impacto duradouro na capacidade de os
consumidores europeus gerirem as suas finanças domésticas e a convulsão
económica de 2020 está a pesar fortemente na mente dos consumidores",
sendo que "muitos estão preocupados com o aumento das contas e com a
impossibilidade de cumprirem com as suas obrigações financeiras, o que
afeta o seu bem-estar", refere o diretor-geral da Intrum Portugal, Luís
Salvaterra, citado em comunicado."Ao mesmo
tempo, os consumidores adaptam os seus estilos de vida às restrições
impostas pelo confinamento e priorizam os diferentes tipos de contas",
acrescenta, salientando que, "em 2020 e neste momento, estão a dar
prioridade a uma série mais vasta de contas do que em 2019, com especial
incidência nos serviços que são bens essenciais", conclui.