Quase 40% das crianças têm excesso de peso e 44,7% consomem 'fast food'
Hoje 17:51
— Lusa/AO Online
O Instituto
Nacional de Estatística (INE) divulga os resultados do módulo das
crianças realizado no 4.º trimestre de 2025, no âmbito do Inquérito
Nacional de Saúde, e destaca que quase metade (44,7%) das crianças dos
seis aos 14 anos consomem regularmente refeições ‘fast food’ ou
alimentos ultraprocessados.De acordo com o
INE, há 81 mil crianças que consomem refrigerantes açucarados e 49 mil
que consomem refeições rápidas ou alimentos ultraprocessados
diariamente.“O consumo deste tipo de
alimentos é um hábito diário para 5,3% das crianças dos 6 aos 14 anos,
enquanto 7,1% fazem-no entre quatro e seis vezes por semana e 32,3%
entre uma e três vezes por semana”, lê-se na nota.Por
outro lado, mais de metade destas crianças (51,1%) só consome estes
produtos uma vez por semana e 3,6% não os consomem de todo.No
que diz respeito aos refrigerantes e outras bebidas açucaradas, o INE
adianta que se trata de “uma prática diária para 8,9% das crianças dos 6
aos 14 anos e muito frequente (4 e 6 vezes por semana) para 6,2%”. “A
maior parte das crianças, contudo, consome estas bebidas menos de uma
vez por semana (33,6%) ou não consome de todo (19,4%)”, ressalva.Ainda
assim, os resultados mostram que o consumo diário de fruta é um hábito
para 68,6% das crianças dos seis aos 14 anos, sobretudo para as crianças
dos seis aos 9 anos (73,3%) e que o consumo regular de proteína animal
ou vegetal é uma prática comum para a maioria das crianças destas idades
(68,0%).No entanto, quase quatro em cada
10 crianças dos cinco aos 14 anos tinham excesso de peso ou obesidade,
registando-se quase 132 mil crianças obesas (12,9%) e outras 230 mil
(22,6%) com excesso de peso. “Enquanto na
categoria de excesso de peso, a prevalência era bastante equilibrada na
repartição por sexo e por grupo etário (com proporções entre 22% e 23%),
a obesidade registava proporções significativamente mais elevadas no
sexo masculino (15,0%) do que no sexo feminino (10,7%) e, especialmente,
nas crianças dos 5 aos 9 anos (18,3%)”, refere o INE.A
análise por regiões mostra que a prevalência conjunta de excesso de
peso e obesidade é mais elevada na Região Autónoma dos Açores (42,3%),
seguindo-se o Norte (40,5%) e a Madeira (40,3%). Os valores mais baixos
registam-se na Península de Setúbal (31,2%) e na Grande Lisboa (31,3%).Globalmente,
“92,3% das crianças com menos de 15 anos têm um estado de saúde
referido como bom ou muito bom”, e as alergias são a doença que mais
afeta as crianças com menos de 15 anos (14,9%), enquanto as perturbações
de défice de atenção ou hiperatividade afetam 6,8% e os distúrbios da
fala e da comunicação atingem 5,9% das crianças.Quase
duas em cada dez crianças (18,9%) tiveram as suas capacidades para
realizar tarefas consideradas habituais para a idade afetadas por
doenças ou problemas de saúde e quase metade (44,7%) das crianças entre
os seis e os 14 anos faltaram à escola por motivo de doença.Há 58 mil crianças cegas e 13 mil com perda de audição.O
módulo das crianças integra pela primeira vez o Inquérito Nacional de
Saúde e baseia-se em informação recolhida junto dos responsáveis
parentais de menores de 15 anos.O estudo
incidiu sobre uma amostra representativa de 3.907 crianças residentes em
Portugal, com dados recolhidos entre setembro e dezembro de 2025
através de entrevistas presenciais, telefónicas e pela Internet.