Quase 200 mil milhões de euros de material reciclável desperdiçados
13 de jan. de 2025, 17:09
— Lusa/AO Online
Segundo o estudo, o cobre
representa 68 mil milhões de euros e o plástico 48 mil milhões,
perdendo-se uma oportunidade de negócio por não se adotar a
circularidade, nomeadamente na indústria transformadora.A
indústria transformadora “deve adotar a circularidade para reduzir a
volatilidade das cadeias de abastecimento e diminuir custos, ganhando
vantagens competitivas e contribuindo para uma economia mais verde”,
sugere o estudo, da empresa de consultoria de gestão “Boston Consulting
Group “(BCG).Segundo a consultora, as
empresas devem “garantir o fornecimento de material, evitar a sua
fragmentação na fonte, utilizar tecnologias inovadoras e apostar em
planeamento estratégico”.Denominado
“Circularity´s Time Has Come”, o estudo diz que nos últimos anos houve
um aumento da extração, mas uma diminuição da circularidade. “Em
2023, apenas 7,2% dos materiais produzidos tiveram origem em fontes
circulares, um decréscimo de 1,9 pontos percentuais face a 2018”,
alerta. Além disso, o estudo prevê que a
extração de matérias-primas “aumente para 167 gigatoneladas em 2060
comparativamente a 96 no início do milénio, com a procura por aço, cobre
e alumínio a ultrapassar a oferta já em 2030”, avisa o estudo. Os
responsáveis pelo documento apontam como barreiras a questão económica
(custos de triagem e processamento superam o valor dos materiais
reciclados), mas também barreiras técnicas (menos instalações do que
materiais para reciclar) e comportamentais (quando as empresas se
mostram resistentes à mudança). E indicam
quatro estratégias para promover a circularidade na indústria
transformadora, incluindo garantir um fornecimento estável de material
desperdiçado, o que constitui também uma proteção contra o risco de
preços elevados e disrupções na cadeia de fornecimento. Tal iria
diminuir custos em cerca de 10 a 15%.Importante
também é evitar a fragmentação dos resíduos na fonte (com milhares de
operadores locais de recolha por exemplo), pelo que as empresas devem
fazer parcerias, bem como inovar em tecnologias de triagem e
processamento e incluir a circularidade no planeamento estratégico.Para
alcançar a circularidade, a economia global necessita de investir mais
de dois biliões de dólares até 2040, sendo que mais de metade (cerca de
57%) desse valor deve ser canalizado para inovações tecnológicas, diz a
BCG no estudo, segundo o qual o mercado global de reciclagem de resíduos
era de 58 mil milhões de euros em 2023 e está a expandir-se a uma taxa
anual de 4 a 5%.No mundo, governos e instituições estão a impulsionar a transição para a reciclagem de resíduos com leis e apoios. Na
União Europeia, a regulamentação sobre os resíduos promove a reciclagem
doméstica ao limitar as exportações de resíduos para países não
pertencentes à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico
(OCDE). E acordos comunitários como o
“Green Deal Industrial Plan” e o “Circular Economy Action Plan”
disponibilizam fundos de 370 mil milhões de euros e 48 mil milhões de
euros, respetivamente, para estimular a economia circular. “Num
contexto em que a economia global enfrenta desafios crescentes de
sustentabilidade, as empresas da indústria transformadora que integram a
circularidade nos seus modelos operacionais não só reforçam a
resiliência das suas cadeias de abastecimento, como também criam
vantagens competitivas duradouras”, afirma Carlos Elavai, responsável da
BCG em Lisboa, citado no comunicado sobre o estudo.