Quase 20% dos alunos tiveram comportamentos autolesivos pelo menos uma vez no último ano
19 de dez. de 2018, 10:22
— Lusa/AO Online
Os
dados fazem parte do estudo Health Behaviour in School-aged Children
(HBSC) 2018, uma iniciativa da investigadora Margarida Gaspar de Matos,
da Universidade de Lisboa, e da Equipa Aventura Social, realizado em
colaboração com a Organização Mundial de Saúde e que conta com a
participação de 44 países. Em Portugal, o primeiro estudo foi realizado
em 1998, celebrando agora 20 anos.Foram
aplicados questionários online em 42 agrupamentos de escolas, num total
de 387 turmas, havendo um estudo complementar nos Açores, sendo a
amostra constituída por 6.997 jovens do 6.º, 8.º e 10.º ano, a maioria
(51,7%) raparigas, com uma média de idade de 13,73 anos.O
estudo, que é divulgado hoje em Lisboa, pretende estudar os estilos de
vida dos adolescentes em idade escolar nos seus contextos de vida, em
áreas como o apoio familiar, escola, amigos, saúde, bem-estar, sono,
sexualidade, alimentação, lazer, sedentarismo, consumo de substâncias,
violência e migrações.De
acordo com o HBSC, 90% dos adolescentes nunca fizeram ‘bullying‘ nos
últimos dois meses na escola e 81,2% disseram que nunca foram vítimas
deste tipo de provocação, um resultado que “continua a refletir que mais
jovens se assumem como vítimas do que como provocadores”. Perto
de 95% referiram nunca ter provocado ‘cyberbullying’, com recurso a
tecnologias, e 91,8% disseram nunca terem sido vítimas desta provocação.
O
estudo revela também que 72,6% dos adolescentes não estiveram envolvidos
em lutas no último ano. Dos que se envolveram, 59,7% disseram que foi
na escola, 21% na rua, 8,6% em casa e 7,5% num recinto
desportivo/ginásio/balneário. A nível do consumo de substâncias, o HBSC revela que 93,7% dos jovens referiram não fumar.Aponta ainda que 3,7% dos inquiridos disseram não consumir bebidas destiladas diariamente e 89,4% nunca consumiram.Quanto à cerveja, 3,6% contaram que bebem todos os dias e 91% nunca o fazem. O consumo
de vinho é menos frequente, como habitual em edições anteriores do
estudo. Dos jovens que referem consumir, 5,2% embriagaram-se pelo menos
uma vez no último mês e 11,8% pelo menos uma vez durante toda a vida.
Referem mais frequentemente ter experimentado
canábis (4,8%) e solventes/benzinas (3,6%), sendo o LSD e o Ecstasy as
substâncias psicotrópicas mais desconhecidas entre os jovens.O
estudo defende a importância da “autorregulação e da promoção
de outras competências pessoais e sócio emocionais que aumente
a valorização da saúde/bem-estar, e previna comportamentos lesivos da
saúde, nomeadamente o uso de substâncias psicoativas”.Questionados
sobre a sua saúde, 33,6% dos adolescentes disseram estar “excelente” e
15,1% contaram ter uma doença ou uma incapacidade prolongada ou
permanente, com diagnóstico há mais de dois anos (76%), que implica
tomar medicação (60,3%), afetando a sua atividade de tempos livres com
os amigos (30,7%) e a participação na escola (28,4%) e implica o uso de
equipamento especial (20,8%). Cerca
de 42% têm alergias, 33,5% asma, 8,6% queixam-se de ter dores de costas
todos os dias, 6,3% no pescoço e ombros e 5,3% dores de cabeça, também
diariamente. Os
jovens referem que 63% das escolas têm gabinete de saúde e 50,5%
dos alunos do 8.º e 10.º anos de escolaridade referem ter tido aulas de
Educação sexual/Educação para a saúde. O
profissional de saúde mais frequentado pelos adolescentes é o dentista
(50,6%), seguido pelo médico de família (37,6%), o oftalmologista
(24,4%), o pediatra (19%) e o psicólogo (12,6%). Apesar
de cerca de um terço dos adolescentes se considerar bem informado em
matérias de saúde, apenas 54,8% sabem que há medicamentos que podem ter
efeitos não desejáveis e apenas 50,2% referem saber verificar o prazo na
embalagem de um medicamento.