Quase 10.000 crimes e 17 detidos por abandono e maus tratos de animais em cinco anos
31 de jan. de 2023, 07:49
— Lusa/AO Online
As
17 detenções foram feitas, entre 2018 e 2022, pela Polícia de Segurança
Pública, que deteve 15 pessoas por maus tratos e duas por abandono de
animais de companhia.O ano com mais
detenções por maus tratos de animais de companhia foi 2021, quando
ocorreram seis, seguido de 2019 e 2022, com quatro cada um, e em 2018
foi detida uma pessoa.A PSP indica que as detenções por abandono de animais foram feitas em 2019 e 2020, com uma em cada ano.Dados
enviados à agência Lusa indicam que a PSP e Guarda Nacional Republicana
registaram 9.732 crimes por abandono ou maus tratos a animais entre
2018 e 2022. A PSP dá também conta que, em
cinco anos, registou 1.615 crimes de abandono de animais e 2.278 por
situações de maus tratos, num total de 4.402.Enquanto
a GNR contabilizou 5.330 crimes, 3.385 dos quais por maus tratos a
animais e 1.945 por abandono, tendo este tipo de criminalidade registado
em 2022 o valor mais alto dos últimos cinco anos.A
GNR registou 1.195 crimes por abandono e maus tratos de animais de
companhia no ano passado, 1.008 em 2021, 1.030 em 2.020, 1.089 em 2.019,
e 1.008 em 2018.Já a PSP registou uma
diminuição em 2020 e 2021 devido à pandemia de covid-19, tendo voltado a
aumentar em 2022. No ano passado, a PSP contou 865 crimes, em 2021
foram 833, em 2020 foram 801, em 2019 foram 952 e em 2018 foram 951.A
GNR dá também conta que levantou 18.690 contraordenações por este
ilícito nos últimos cinco anos, sendo em maior número em 2018 (5.393),
seguido de 2019 (5.107), 2022 (3.357), 2020 (2.587) e 2021 (2.246).Esta
força de segurança refere que os crimes de maus tratos estão previstos
no Código Penal e os factos são comunicados ao Ministério Público e os
infratores identificados.Segundo a GNR, os
cães são os animais que registam maior incidência quanto a situações de
maus tratos e abandono e geralmente os animais recolhidos são entregues
nos centros de recolha oficial (CRO) sob gestão municipal ou
intermunicipal, sendo também entregues, em determinadas ocasiões, a
associações zoófilas.A GNR recebe também
denúncias, que podem ser feitas através da linha SOS Ambiente e
Território 808 200 520, www.gnr.pt (Serviços/SOS Ambiente) ou no correio
eletrónico sepna@gnr.pt, tendo registado 20.823 queixas entre 2018 e 2022, depois de aumentar todos os anos desceu pela primeira vez em 2022.Também a PSP dispõe de uma Linha de Defesa Animal (defesanimal@psp.pt) para receber denúncias, tendo nos últimos cinco anos registado 12.175 denúncias, numa tendência crescente.Esta linha recebeu 2.149 denúncias em 2018, 2.278 em 2019, 2.362 em 2020, 2.462 em 2021 e 2.924 no ano passado.A
PSP refere que estas denúncias englobam, não só situações criminais de
abandono e maus tratos, mas todas as ocorrências relacionadas com o
bem-estar do animal e com situações suspeitas que, posteriormente,
carecem de uma fiscalização e averiguação por parte da polícia. Esta
polícia sublinha que uma parte das denúncias recebidas através desta
linha “não conhece subsequente acionamento criminal ou
contraordenacional por se apurar que a situação denunciada não
corresponde a qualquer ilícito ou os indícios recolhidos não permitem
referenciar a suspeita”.As queixas mais
comuns que chegam à PSP através desta linha são reclamações de vizinhos
sobre os cães que estão na varanda a ladrar, o pátio que está sujo e tem
um odor desagradável, os donos que se ausentaram sem deixar água ou
comida aos animais, passear o cão sem trela e a agressividade dos
animais.Os maus-tratos contra animais de companhia são crime desde 2014 e várias pessoas foram já condenadas em primeira instância.No entanto, o Tribunal Constitucional já anulou essas condenações com o argumento de que não têm cobertura constitucional.Recentemente,
o Ministério Público junto do Tribunal Constitucional pediu a
declaração de inconstitucionalidade da norma que criminaliza com multa
ou prisão quem, sem motivo legítimo, mate ou maltrate animais de
companhia. O pedido de inconstitucionalidade surge após três decisões do TC nesse sentido.