Quartel do Corvo tem porta fechada mas bombeiros estão sempre em alerta
29 de set. de 2017, 11:24
— Lusa/AO online
"Somos
todos voluntários, porque todos temos os nossos empregos. É uma
corporação completamente voluntária e não temos qualquer elemento abaixo
dos 30 anos", disse em declarações à agência Lusa o comandante dos
Bombeiros Voluntários do Corvo, Marco Silva, de 39 anos, natural da
ilha. Segundo Marco Silva, "a partir da noite, das 21:00 até às
07:00, fica no quartel um elemento de prevenção", enquanto que durante o
dia é ele próprio que está de prevenção permanentemente. O
responsável adiantou que numa comunidade pequena, como a do Corvo, com
pouco mais de 400 habitantes e onde todos se conhecem, as pessoas
telefonam-lhe diretamente. "Como não temos um grande número de
ocorrências, os nossos trabalhos diários são mais as prevenções
aeroportuárias e na carga e descarga de combustíveis na ilha", explicou o
comandante, que é também funcionário da transportadora aérea SATA no
aeródromo do Corvo. Por exemplo, em 2016 a corporação registou cerca de 300 saídas para estas duas situações. Embora
com poucas ocorrências, já se registaram na ilha casos graves, como um
acidente de viação em agosto de 2015 que vitimou uma turista portuguesa
de 33 anos e mais seis feridos, interrompendo o ciclo de cinco anos sem
acidentes no Corvo. "Ainda recentemente tivemos uma idosa com uma
paragem cardiorrespiratória. A doente foi reanimada, o que é motivo de
grande orgulho para a corporação porque, mesmo não tendo grandes
ocorrências, somos bons operacionais", sublinhou. Marco Silva
adiantou que a associação quer recrutar novos elementos, tendo já obtido
o aval do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores para "uma nova recruta". "Fico
mesmo muito satisfeito que numa ilha com cerca de 450 habitantes termos
entre 15 a 20 possíveis novos bombeiros", explicou. A presidente
da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Corvo, Vera
Câmara, que lidera a instituição há quatro anos, destaca a importância
dos elementos da corporação que, embora voluntários, revelam prontidão. Sobre
aquele acidente mortal, Vera Câmara recorda que, além de ter havido
recurso à ajuda da população e a meios de outras ilhas, acabou por "pôr à
prova todos os conhecimentos dos bombeiros" e a capacidade psicológica
de lidar com estas situações. "A comunidade do Corvo respeita
muito a instituição", salientou, destacando ainda o papel dos bombeiros
em situações de mau tempo. Hoje, para assinalar o aniversário da
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Corvo, cuja sede tem
um bar concessionado e um espaço destinado a clube informático, estão
previstas várias atividades, desde jogos para as crianças, desfile de
viaturas, uma missa em homenagem dos bombeiros falecidos e um jantar no
quartel.