Quarenta deputados do PS votam contrariados IVA de 23% nas touradas
OE2020
4 de fev. de 2020, 18:20
— Lusa/AO Online
Maria da Luz Rosinha, deputada e
ex-presidente da Câmara de Vila Franca de Xira, terra de tradições
taurinas, e Pedro do Carmo, eleito por Beja, foram os porta-vozes do
descontentamento socialista, numa conferência de imprensa na Assembleia
da República, acompanhados de parlamentares de vários círculos, Açores,
Évora, Portalegre, Setúbal, por exemplo.
“A posição assumida deve-se exclusivamente à disciplina de voto”,
garantiu a ex-autarca socialista, que deu a garantia de não recear
represálias por tomar esta posição de desagrado e desalinhamento perante
a direção da bancada. Luz Rosinha
afirmou que os deputados apresentaram uma proposta de alteração ao texto
do OE, Pedro do Carmo explicou que os defensores da tauromaquia não
tinham uma maioria dentro da bancada e que a direção do grupo
parlamentar não a acolheu, argumentando que “está em causa uma questão
fiscal” do orçamento. O grupo de deputados
critica “a imposição de uma ‘cultura de gosto’” e “assumem-se
convictamente defensores da cultura portuguesa, em que se inclui a
tauromaquia”. “O que se apresenta como uma
medida fiscal é, antes, uma posição de preconceito relativamente a uma
vertente da cultura popular portuguesa, particularmente enraizada em
muitas comunidades”, lê-se no texto da declaração de voto subscrita por
quase 40 deputado socialistas. Ao
contrário do que aconteceu no debate do Orçamento de 2019, desta vez,
admitiu Pedro do Carmo, os deputados a favor da tourada não têm maioria,
é uma questão "de democracia interna". Até agora, os espetáculos de tauromaquia estão sujeitos à taxa reduzida do IVA.
Na bancada do PS, os deputados têm disciplina de voto quanto ao
programa do Governo, Orçamentos do Estado, moções de censura e de
confiança e compromissos do programa eleitoral ou ainda por orientação
expressa da comissão política nacional do partido.
O grupo de parlamentares socialistas afirma acreditar que, dado que
esta é a "primeira sessão legislativa", a "abordagem da tauromaquia não
acaba aqui", admitindo, implicitamente, voltar ao tema no futuro.
O deputado eleito por Beja garantiu ainda que este grupo de "defensores
da tauromaquia, da tolerância e da regularidade" continuará a defender
esta tradição sempre que puderem. No
texto, os deputados pró-tourada afirmam: “Continuaremos a defender o
direito à cultura plural e diversificada e o princípio constitucional da
igualdade e do direito à cultura para todos. Continuaremos a defender a
liberdade de escolha e de acesso aos espetáculos em igualdade de
circunstâncias.” Tanto Maria da Luz
Rosinha como Pedro do Carmo afirmaram que, se, ao contrário de uma
medida do IVA, estivesse uma
"em causa a tauromaquia" o voto dos deputados "seria outro" e "seria
contra".