Qatar e UE mostram-se "dececionados" com regime talibã
Afeganistão
30 de set. de 2021, 16:05
— Lusa/AO Online
"Estamos
muito dececionados com os recentes acontecimentos no Afeganistão, que
representam um retrocesso", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros
do Qatar, Mohammed ben Abderrahmane Al-Thani, durante uma conferência de
imprensa em Doha, sugerindo ao novo Governo de Cabul para olhar para as
práticas de poder usadas no seu país, que não deixam de respeitar a
religião islâmica.Al-Thani referia-se a
diversos episódios recentes que revelam o espírito fundamentalista do
novo Governo de Cabul, como quando, a 26 de setembro, os talibãs
penduraram os corpos de quatro sequestradores em guindastes depois de os
matar, na cidade de Herat, ou quando, na passada sexta-feira, uma
manifestação de mulheres afegãs exigindo o direito à educação foi
violentamente reprimida.O Qatar tem
desempenhado o papel de mediador entre o movimento radical que controla o
Afeganistão desde 15 de agosto e a comunidade internacional, depois de
já ter feito esse papel durante vários anos, acolhendo negociações entre
os talibãs e os Estados Unidos, num acordo que acelerou a retirada de
tropas estrangeiras.De visita a Doha, o
chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também disse estar
"dececionado" com as violações dos direitos humanos no Afeganistão."Queremos
reorientar o Governo afegão", explicou Borrell, dizendo que a UE conta
com o Qatar para usar a "sua forte influência" junto dos talibãs para
encorajar o movimento islâmico a respeitar os direitos humanos.Na
terça-feira, os talibãs anunciaram que iriam adotar temporariamente a
Constituição de 1964, que concede às mulheres afegãs o direito de voto,
embora excluam elementos do texto contrários à sua interpretação da
‘sharia’, o sistema jurídico do Islão.Sob o
anterior regime talibã, que dominou o Afeganistão entre 1996 e 2001, as
mulheres foram em grande parte excluídas da vida pública e não tinham
permissão para estudar ou trabalhar.