Putin restringe concessão de vistos à UE e a outros países europeus
Ucrânia
4 de abr. de 2022, 14:55
— Lusa/AO Online
As medidas de
retaliação tomadas por Moscovo afetarão delegações oficiais e
jornalistas, explicou o Kremlin, em comunicado, referindo que o decreto
presidencial ordena a suspensão parcial do acordo de simplificação de
vistos assinado com a UE em 25 de maio de 2006.Com
esta medida, fica restringida a emissão de vistos múltiplos com
validade de um ano para delegações oficiais e jornalistas, bem como
vistos múltiplos com validade de cinco anos para membros de governos
nacionais e regionais, parlamentos e tribunais.A partir de agora, diplomatas dos países abrangidos pelas sanções deixam de poder entrar no território russo sem visto.O
Governo russo adotou no passado dia 08 uma lista de países e
territórios hostis, que inclui EUA e Canadá, todos os países membros da
UE, Reino Unido, Ucrânia, Montenegro, Suíça, Albânia, Andorra, Islândia,
Liechtenstein, Mónaco, Noruega, San Marino, Macedónia do Norte, Japão,
Coreia do Sul, Austrália, Micronésia, Nova Zelândia, Singapura e Taiwan.Além
disso, é reintroduzida a necessidade de custear a emissão de vistos
para delegações oficiais, membros de governos e parlamentos.Putin
também ordena que o Ministério dos Negócios Estrangeiros imponha
"restrições pessoais" a estrangeiros que cometeram "ações hostis" contra
este país, os seus cidadãos e entidades legais.Na
semana passada, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei
Lavrov, anunciou que Moscovo está a preparar um documento para impor
restrições de vistos a cidadãos de "países hostis", em retaliação a
medidas semelhantes tomadas contra Moscovo."Acredito
que este passo alarga as ferramentas para influenciar várias categorias
de cidadãos estrangeiros. Em primeiro lugar, contra aqueles que estão
envolvidos em crimes contra cidadãos russos no exterior. Em segundo
lugar, aqueles que cometem injustamente perseguição jurídica contra o
nosso povo. E, finalmente, aqueles que tomam decisões irracionais que
violam os direitos e interesses legítimos dos cidadãos e organizações da
Federação Russa", explicou Lavrov.A UE
aprovou o primeiro de vários pacotes de sanções contra Moscovo em 23 de
fevereiro, depois de o Presidente russo ter reconhecido a independência
das repúblicas de Donetsk e Lugansk.Além
disso, devido às "atrocidades" cometidas por soldados russos em várias
cidades ucranianas ocupadas, Bruxelas anunciou hoje que está a preparar
um novo pacote de sanções contra o Kremlin.A
Ucrânia acusou a Rússia de genocídio, alegando ter encontrado os corpos
de 410 civis na região de Kiev, atualmente sob controlo ucraniano.Na
cidade de Busha, a noroeste da capital ucraniana, cerca de 300 pessoas
foram enterradas em valas comuns, de acordo com as autoridades
ucranianas.