Putin reconhece independência das regiões ucranianas de Kherson e Zaporijia
Ucrânia
30 de set. de 2022, 12:16
— Lusa/AO Online
Em
comunicado, o Kremlin indicou que Putin assinou o decreto com base nos
recentes referendos em que a maioria dos eleitores apoiou a separação da
Ucrânia e a adesão à Federação Russa.Para
reconhecer a independência de Kherson e Zaporijia, Vladimir Putin
defende o direito de autodeterminação dos povos e os estatutos das
Nações Unidas.Estas consultas
separatistas, realizadas entre 23 e 27 de setembro, foram condenadas por
Kiev e pelo Ocidente, que consideram os referendos “farsas”
democráticas.No caso de Kherson, região
que faz fronteira com a península anexada da Crimeia, mais de 87% dos
eleitores apoiaram a anexação russa, enquanto mais de 93% dos
participantes em Zaporijia apoiaram esta opção, segundo fontes
pró-russas.Ambos os territórios foram
conquistados por tropas russas nas primeiras semanas da ofensiva militar
russa na Ucrânia, o que permitiu a Moscovo abrir um corredor terrestre
entre o Donbass e a Crimeia.A península
banhada pelo Mar Negro depende para a sua sobrevivência dos recursos
hidrológicos, energéticos e de cereais do sul da Ucrânia.As
autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Lugansk, cuja independência foi
reconhecida por Putin em fevereiro passado, também realizaram
referendos considerados ilegais pelo Ocidente, nos quais apoiaram a
adesão à Rússia.Os líderes destas quatro
regiões dirigiram-se esta semana ao líder do Kremlin para que Putin
autorize a sua entrada urgente na Federação Russa.Conforme
divulgado hoje pela presidência russa, Vladimir Putin formalizará esta
sexta-feira, durante uma cerimónia solene no Kremlin, a anexação dos
quatro territórios ucranianos com a assinatura dos tratados
correspondentes.Na próxima semana, ambas
as câmaras do Parlamento russo aprovarão esta adesão, após a qual Putin a
promulgará, como aconteceu em 2014 com a anexação da península da
Crimeia.Na Crimeia, um referendo
considerado ilegal pelo Ocidente também foi organizado há oito anos,
após o qual a sua independência foi proclamada e depois o território
anexado pela Rússia.A Ucrânia garante que
tanto os referendos quanto a anexação são ilegais, enquanto o Ocidente
também anunciou que adotará novas sanções contra o Kremlin. O
secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou
esta quinta-feira a Rússia que a anexação de territórios ucranianos "não
terá valor jurídico e merece ser condenada", frisando que "não pode ser
conciliada com o quadro jurídico internacional".Já
a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, garantiu que a
União Europeia (UE) vai continuar a apoiar “política, económica e
militarmente” a Ucrânia na “guerra atroz” de Vladimir Putin, que procura
“inverter o rumo da história” no caminho da democracia.A
Comissão Europeia propôs na quarta-feira um oitavo pacote de sanções à
Rússia, face à “nova escalada” do Kremlin na sua agressão à Ucrânia, com
a realização de “referendos fraudulentos”, mobilização parcial e a
ameaça de recurso a armas nucleares.O
Presidente norte-americano, Joe Biden, garantiu esta quinta-feira que os
Estados Unidos nunca reconhecerão os resultados dos referendos
“orquestrados pela Rússia” na Ucrânia e acusou o homólogo russo Vladimir
Putin de "violação flagrante" da Carta das Nações Unidas.