Putin pede ao exército ucraniano para tomar o poder em Kiev
Ucrânia
25 de fev. de 2022, 16:01
— Lusa/AO Online
"Tomem o poder nas
vossas mãos. Parece-me que será mais fácil negociar entre mim e vocês",
lançou Putin ao exército ucraniano numa intervenção transmitida pela
televisão russa, afirmando não combater unidades do exército, mas
formações nacionalistas que se comportam "como terroristas" usando civis
"como escudos humanos".Putin também
classificou o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e os seus
ministros como "uma panelinha de viciados em drogas e neo-nazis, que se
estabeleceram em Kiev e fizeram refém todo o povo ucraniano".Apesar
de Zelensky ter origem judaica, Moscovo chama "neo-nazis" ou "junta" às
autoridades ucranianas desde 2014, quando começou a guerra no leste da
Ucrânia, entre separatistas pró-Rússia e forças de Kiev. As
acusações de "viciado em drogas" referem-se a declarações feitas pelos
detratores de Zelensky durante as eleições presidenciais de 2019, que o
Presidente ganhou com larga margem.A
Rússia acusa a Ucrânia de ter integrado nas suas forças armadas unidades
próximas da extrema-direita e apontou a "desnazificação" da Ucrânia
como um dos objetivos da sua invasão.Putin acusou essas unidades de agir "como terroristas".A Ucrânia também comparou as ações da Rússia com as da "Alemanha nazi" durante a Segunda Guerra Mundial.O
apelo de Putin ao exército ucraniano foi feito horas depois de Zelensky
ter convocado o Presidente russo para se sentar à mesa de negociações,
opção que o Kremlin não descartou de imediato, mas deixou sem resposta
clara.No primeiro dia da invasão russa, na quinta-feira, Zelensky denunciou que o objetivo do ataque é tirá-lo do poder."Segundo
as nossas informações, eu sou o alvo número um do inimigo. A minha
família é o segundo [alvo]. Eles [o russos] querem destruir a Ucrânia
politicamente destruindo o chefe de Estado", afirmou.