Putin instaura lei marcial nos territórios ilegalmente anexados
Ucrânia
19 de out. de 2022, 12:32
— Lusa/AO Online
Putin fez o anúncio da medida numa reunião do seu Conselho de Segurança, transmitida pela televisão.O
Kremlin publicou, depois, um decreto a anunciar a entrada em vigor da
lei marcial nos quatro territórios a partir da meia-noite de
quinta-feira.A decisão de Putin surge
poucas horas depois de as autoridades russas de ocupação na região de
Kherson terem anunciado que, na sequência do avanço das tropas
ucranianas, já começou a retirada de civis da cidade, referindo que
pretendem transferir mais de 50.000 pessoas.Em
reação, as autoridades ucranianas acusaram a Rússia de “tentar
assustar” os habitantes de Kherson ao organizar uma retirada de
moradores desta importante cidade do sul da Ucrânia, localizada na
região homónima e anexada por Moscovo em fins de setembro.“Os
russos estão a tentar assustar o povo de Kherson com falsas mensagens
sobre um bombardeamento da cidade pelo nosso exército”, acusou na rede
social Telegram o chefe de gabinete da presidência ucraniana, Andriï
Yermak.Para o chefe de gabinete do
Presidente da Ucrânia, a retirada da população de
Kherson é um “espetáculo de propaganda […] que não funciona”.“A
transferência organizada de moradores para a outra margem do [rio]
Dnieper começou em Kherson”, avançou o chefe da administração de
ocupação local, Vladimir Saldo, também na rede social Telegram.“Está
prevista a retirada de 50.000 a 60.000 pessoas para a margem esquerda
do Dnieper”, rio que faz fronteira com a cidade de Kherson, afirmou
ainda.A retirada, a uma média diária de
10.000 pessoas, deve demorar seis dias, acrescentou o responsável,
citado por agências de notícias russas.Segundo
a agência Ria-Novosti, o administrador pró-russo da região, Yevgeny
Melnikov, disse que as pessoas retiradas da zona deverão ser levadas
para a Rússia.A Rússia decidiu retirar a
população de Kherson, onde as tropas de Moscovo enfrentam uma situação
particularmente “tensa” face à contraofensiva de Kiev.Sergei
Surovikin admitiu que a situação continua “muito difícil” para as
tropas russas na região sul e na cidade de Kherson, que tem estado a ser
alvo de ataques ucranianos dirigidos às “infraestruturas sociais,
económicas e industriais”.Kherson é uma
das regiões ucranianas – a par de Donetsk, Lugansk e Zaporijia – que a
Rússia declarou como anexadas depois da realização de referendos
organizados por Moscovo e contestados pela Ucrânia e pela comunidade
internacional.