Putin explicou a Scholz e Draghi porque quer cobrar gás russo em rublos

Ucrânia

31 de mar. de 2022, 11:26 — Lusa/AO Online

"A alteração do mecanismo de pagamento é implementada porque, violando as normas do direito internacional, os países membros da União Europeia (UE) congelaram as reservas cambiais do Banco da Rússia", explicou o Kremlin num comunicado onde resume uma conversa telefónica entre Putin e Scholz.O Presidente russo também falou com o chefe do governo italiano, a quem explicou igualmente os detalhes desta medida, referiu o Kremlin.Putin assegurou ao líder alemão que esta decisão "não vai piorar as condições estabelecidas nos contratos para as empresas europeias que importam gás russo", referiu a Presidência russa, que não deu detalhes.O porta-voz do governo alemão adiantou, entretanto, que o Presidente russo assegurou ao chanceler Olaf Scholz que para já a Europa poderia continuar a pagar o gás russo em euros e não em rublos.Steffen Hebestreit, disse que Putin garantiu a Scholz que os pagamentos da Europa no próximo mês "continuarão a ser em euros e transferidos, como de costume, para o Gazprom Bank, que não está sujeito a sanções", e que tratará da conversão em rublos.O chanceler alemão não terá dado o seu acordo a este procedimento mas sim solicitado informações escritas para o compreender melhor, segundo o seu porta-voz.O Kremlin tinha também adiantado que "foi acordado que haverá conversações adicionais entre peritos de ambos os países".A Alemanha tem sido um dos países mais relutantes em incluir o setor energético nas sanções contra Moscovo devido à guerra na Ucrânia, uma vez que 55% do gás que consome provém da Rússia.Após o anúncio de Putin de exigir em rublos o pagamento pelo gás russo, a UE rejeitou categoricamente esta exigência, dizendo que constitui uma violação dos contratos existentes.Além da questão dos contratos de gás, Putin falou com Scholz e Draghi sobre as negociações entre a Rússia e a Ucrânia realizadas terça-feira, em Istambul, bem como sobre "questões relacionadas com a retirada de civis de zonas de combate, especialmente Mariupol", informou ainda o Kremlin.