Putin espera acordo de paz "o mais depressa possível" e normalizar relações com Europa
Ucrânia
Hoje 16:27
— Lusa/AO Online
Dirigindo-se
a dez embaixadores europeus que lhe apresentaram as suas
credenciais numa cerimónia no Kremlin, o líder russo alertou que as
relações com a Europa "deixam muito a desejar" e manifestou confiança em
restaurá-las no futuro."Quero sublinhar
que o diálogo e os contactos foram reduzidos ao mínimo, tanto na esfera
oficial, empresarial como pública, mas não por culpa nossa", observou.Vladimir
Putin disse que a interação com a Europa, que já foi o maior parceiro
comercial da Rússia, ficou também congelada no que diz respeito ao
diálogo sobre questões internacionais e regionais."Quero
acreditar que, com o tempo, a situação irá mudar e os nossos países
regressarão a uma comunicação normal e construtiva, baseada no respeito
pelos interesses nacionais e na consideração das legítimas preocupações
de segurança", afirmou. Para Putin, as
relações da Rússia com cada um dos países cujos embaixadores estiveram
presentes na cerimónia de hoje, incluindo Portugal, têm "raízes
históricas profundas e estão repletas de exemplos de parcerias
mutuamente benéficas e enriquecedora cooperação cultural".Na
cerimónia, o Presidente russo defendeu também “a consolidação das
condições que permitam alcançar, o mais depressa possível uma solução
pacífica” para o conflito na Ucrânia."O
nosso país aspira a uma paz duradoura e sólida que garanta de forma
fiável a segurança de cada pessoa. No entanto, nem todos, incluindo Kiev
e as capitais que a apoiam, estão preparados", criticou, aludindo aos
países europeus aliados da Ucrânia.Até que
outros países compreendam esta necessidade, Putin insistiu que a Rússia
continuará a "perseguir os seus objetivos", reafirmando que a crise na
Ucrânia é consequência do desrespeito "durante muitos anos" dos
interesses de Moscovo e do incumprimento das potências ocidentais em
honrar a sua "promessa pública" de não expandir a NATO para leste.O
Kremlin não confirmou hoje a iminente chegada a Moscovo, noticiada pela
imprensa internacional, dos enviados da Casa Branca Steve Witkoff e
Jared Kushner para discutir o plano de paz do Presidente
norte-americano, Donald Trump, para a Ucrânia, que se encontra há várias
semanas num impasse. Moscovo recusou-se
igualmente a confirmar se apoia o envio de tropas estrangeiras para o
país vizinho, particularmente se essas forças incluíam militares de
países de países do Sul Global, como a China.Antes
das declarações de Putin, o porta-voz do Kremlin tinha afirmado hoje
que Moscovo concorda com as declarações do Presidente norte-americano de
que o principal obstáculo à paz na Ucrânia é o líder do país, Volodymyr
Zelensky."Podemos concordar com isso. É
de facto o caso", comentou Dmitri Peskov na sua primeira conferência de
imprensa telefónica de 2026. Peskov reagia
às declarações de Trump, que sugeriu que o Presidente russo demonstrou
maior disponibilidade do que Zelensky para aceitar o plano de paz da
Casa Branca."A situação está a piorar de
dia para dia para o regime de Kiev. Já o dissemos. E a janela para a
tomada de decisões está a fechar-se", disse ainda o porta-voz do
Kremlin.A cerimónia de entrega de
credenciais de embaixadores estrangeiros foi a primeira em mais de um
ano e contou com a presença de mais de 30 diplomatas, entre os quais se
encontravam embaixadores de dez países europeus, bem como os chefes de
missões diplomáticas de Cuba, Brasil, Uruguai, Colômbia e Peru, além dos
novos representantes de Israel e do Afeganistão.