Putin diz que Rússia não deve “em circunstância alguma” entrar em recessão
20 de jun. de 2025, 17:07
— Lusa/AO Online
“Alguns
especialistas e peritos estão a apontar para o risco de estagnação e
mesmo de uma recessão. Não devemos permitir que isso aconteça em
circunstância alguma”, declarou Putin, num discurso proferido no fórum
económico de São Petersburgo.Embora a
economia russa tenha em 2023 e 2024 dado provas de uma resistência
inesperada às sanções impostas pelo Ocidente desde 2022, em retaliação
pela invasão russa da Ucrânia, a conjuntura mudou nos últimos meses.O
crescimento abrandou no primeiro trimestre deste ano para 1,4%, o seu
nível mais baixo desde o período análogo de 2023, segundo dados
oficiais, e as perspetivas não são tão boas como no ano passado.Na
quinta-feira, o ministro da Economia russo, Maxim Rechetnikov, advertiu
mesmo de que a Rússia poderá estar “à beira” da recessão, se o Estado
não tomar as “decisões certas” nas próximas semanas.O forte investimento público na indústria da Defesa para apoiar o Exército russo já não está a estimular a economia.“O
crescimento geral do PIB (Produto Interno Bruto) está longe de estar
ligado apenas à produção militar-industrial, como alguns pensam”,
sublinhou Putin.“Sim, é claro que o
complexo militar-industrial desempenhou o seu papel, mas temos de
continuar a vigiar de perto a estrutura deste crescimento”, prosseguiu.O
chefe de Estado russo acrescentou que, nos últimos dois anos, o
crescimento foi impulsionado, nomeadamente, pela “agricultura, a
indústria no seu conjunto, a construção, a logística, o setor dos
serviços, as finanças e a indústria das tecnologias da Internet”.A questão do relançamento da economia foi hoje alvo de um braço de ferro entre o Governo e o Banco Central (BCR).Para
vários agentes económicos de peso, a responsável está encontrada: a
diretora do Banco Central, Elvira Nabiullina, que executa uma política
monetária muito rigorosa, com uma taxa diretora muito elevada de 20%
(reduzida num ponto percentual no início de junho), para combater a
inflação a todo o custo.Esta política não agrada (ou já não agrada) ao patronato e a alguns ministros do bloco económico.“É altura de baixar” a taxa diretora, defendeu o vice-primeiro-ministro, Alexander Novak.Responsável
do Governo pelo importante setor da Energia, Novak alertou para o risco
de “se perder o momento oportuno”, ao mesmo tempo que descreveu a atual
conjuntura económica como “dolorosa”.