Putin assina lei que lhe poderá permitir cumprir mais dois mandatos no Kremlin
5 de abr. de 2021, 15:24
— Lusa/AO Online
A lei,
publicada no portal oficial russo, foi adotada em definitivo pelo
parlamento em março, na sequência de um referendo constitucional
organizado no verão de 2020. Putin, na
liderança do país desde 2000, deveria em teoria retirar-se em 2024, o
final do seu atual mandato, pelo facto de a Constituição russa apenas
prever dois mandatos consecutivos para um Presidente. No
entanto, e de acordo com o texto hoje promulgado, “esta restrição não
se aplica a quem ocupava o cargo de chefe de Estado antes da entrada em
vigor das emendas à Constituição” aprovadas por referendo em 2020. No
passado, Putin já atingiu o limite de dois mandatos. Em 2008, assumiu o
cargo de primeiro-ministro e entregou o Kremlin ao seu último chefe de
Governo, Dmitri Medvedev. Após um interregno de quatro anos, foi
reeleito Presidente em 2012. A revisão
constitucional votada no verão de 2020 também introduz na Constituição
diversos princípios conservadores que têm sido defendidos pelo
Presidente – a fé em Deus, casamento reservado dos heterossexuais,
ensino patriótico –, e uma imunidade vitalícia garantida aos Presidentes
russos. O opositor Alexei Navalny, detido
desde janeiro passado, definiu o referendo de 2020 de “uma enorme
mentira” e a organização não-governamental (ONG) Golos, especializada no
acompanhamento de eleições, denunciou um atentado “sem precedente” à
soberania do povo russo. A votação do
referendo, adiada uma semana devido à pandemia do novo coronavírus,
resultou numa vitória do “sim” com 77,92% dos votos expressos, e uma
participação de 65%, segundo os dados oficiais.