Putin acusa Kiev de provocar uma catástrofe ao seu próprio povo
9 de mai. de 2023, 10:54
— Lusa/AO Online
Rejeitando
que a atual situação na Ucrânia foi provocada pela mais recente invasão
russa (fevereiro de 2022), Putin disse num discurso na Praça Vermelha,
em Moscovo, que o povo ucraniano "é refém de um golpe de Estado,
do regime criminoso que foi instaurado, e dos poderes ocidentais"."Foi
a moeda de troca pelos planos lucrativos que quiseram levar a cabo",
afirmou Putin, que se mostrou orgulhoso dos participantes da "operação
militar especial", como é designada na Rússia a invasão da Ucrânia. Segundo Vladimir Putin, "todo o país apoia os heróis". "Neste
momento, nada é mais importante que o vosso desempenho (...) Em vocês
radica a segurança do país (Rússia), de vocês depende o futuro do nosso
Estado e do nosso povo", disse o chefe de Estado da Rússia dirigindo-se
aos militares. O Presidente russo,
Vladimir Putin, disse ainda que apesar de ter sido desencadeada uma
"verdadeira guerra" contra a Rússia garantiu vitória e considerou
"criminosa" a supremacia dos líderes ocidentais. "Outra
vez, contra a nossa Pátria foi desencadeada uma guerra verdadeira. Mas
nós vamos resistir ao terrorismo internacional e vamos também defender
os habitantes do Donbás (leste da Ucrânia) e garantir a nossa
segurança", disse Putin durante os desfiles militares na Praça Vermelha
que assinalaram os 78 anos sobre a capitulação da Alemanha nazi, em
1945. Putin afirmou que a Rússia "não tem
povos inimigos nem a Ocidente nem a Oriente" e como a maior parte dos
países do mundo, o país aspira "um futuro pacífico, livre e estável". Ao
mesmo tempo, acusou o Ocidente de esquecer o que aconteceu quando a
Alemanha nazi tentou dominar o mundo ao desencadear uma guerra
advertindo que a "ambição sem limites, a arrogância e permissividade
acabam em tragédia". "Consideramos que
qualquer ideologia de supremacia é por natureza repugnante, criminosa e
mortal. As elites globais continuam a defender a exclusividade
enfrentando as pessoas e a dividir a sociedade. Provocam conflitos
sangrentos e golpes de Estado, semeiam o ódio, a russofobia e o
nacionalismo agressivo", disse. Putin
acusou as potências ocidentais " de imporem regras" e de, na realidade,
forjarem "um sistema de pilhagens, violência e opressão" em que também
se estão a destruir "os valores tradicionais"."Parece
que se esqueceram de quem dirigiu a aspiração demente dos nazis pelo
domínio mundial e de quem destruiu esse monstruoso mal (...) e quem deu a
vida pela libertação dos povos da Europa", disse Putin referindo-se ao
Exército Vermelho da era soviética.No
final da parada militar, Putin e os únicos dirigentes estrangeiros
presentes depositaram um ramo de flores no monumento ao Soldado
Desconhecido, junto às muralhas do Kremlin.Estiveram presentes os líderes da Bielorrússia, Arménia, Cazaquistão, Uzbequistão, Quirguistão, Tajiquistão e Turquemenistão. A Rússia assinala hoje o Dia da Vitória sobre a Alemanha nazi.O
Dia da Vitória comemora a vitória europeia dos Aliados sobre o regime
nazi, no final da Segunda Guerra Mundial, em 08 de maio 1945.Nos
países sob influência da antiga União Soviética, a partir de 1967, o
Dia da Vitória começou a ser comemorado nos dias 09 de maio,
referindo-se ao dia da capitulação das forças nazis perante as tropas
soviéticas, e passou a ser considerado um dia feriado.Na Rússia é assinalado oficialmente, todos os anos, desde 1995.Segundo
o Ministério da Defesa da Rússia desfilaram hoje no centro de Moscovo,
dez mil soldados e foram exibidos 125 equipamentos militares, incluindo
os tanques T-90; T-72 e T-14, além de peças de artilharia, baterias
antiaéreas e mísseis de cruzeiro. Na
Grande Guerra Patriótica, como é conhecida a campanha soviética durante a
Segunda Guerra Mundial morreram 26 milhões de cidadãos soviéticos,
entre os quais oito milhões de soldados, de acordo com os dados
históricos oficiais.