Pulmonale alerta para urgência de implementar rastreio do cancro do pulmão em Portugal
21 de out. de 2025, 16:42
— Lusa/AO Online
A campanha “Se fuma até hoje, o rastreio devia
ser para ontem!” decorrerá em novembro, Mês de sensibilização para o
cancro do pulmão, e destina-se sobretudo a fumadores e ex-fumadores, com
idades entre os 50 e os 75 anos, e a todas entidades públicas com
responsabilidades na área da saúde.“A
campanha nasce da necessidade imperativa em implementar o rastreio do
pulmão, seguindo o bom exemplo de outras áreas oncológicas”, afirma em
comunicado a presidente da Associação Portuguesa de Luta Contra o Cancro
do Pulmão (Pulmonale), Isabel Magalhães.A
presidente defende a necessidade de lutar para que o rastreio ao cancro
do pulmão seja disponibilizado no país, incidindo na população
elegível, fumadores e ex-fumadores”.“O
diagnóstico precoce é o método mais promissor para reduzir a mortalidade
devido ao cancro do pulmão no nosso país, que é, das diversas
patologias oncológicas, a mais mortal, entre os portugueses”, realça. Isabel
Magalhães congratula-se com o anúncio do Ministério da Saúde sobre os
dois projetos-piloto previstos para arrancar no concelho de Cascais,
numa iniciativa conjunta com a autarquia, e na ULS de Santo António, no
Porto, mas assinala que não se conhece qualquer desenvolvimento da
medida desde o seu anúncio público em junho. “A
promoção e prevenção da saúde, com todos os ganhos associados, têm de
deixar de ser um tema de conversa, ou uma notícia de jornal, e passar a
ser uma estratégia evidente do Serviço Nacional de Saúde”, defende,
frisando que “a campanha quer precisamente afirmar a urgência na
implementação do rastreio do cancro do pulmão no SNS”.Em
2022, a Comissão Europeia recomendou aos seus Estados-Membros que
iniciassem projetos-piloto de rastreio do cancro do pulmão associados a
programas de cessação tabágica, tendo aprovado posteriormente a inclusão
do rastreio nos planos de prevenção da doença oncológica, já
implementado pela Croácia, Polónia e República Checa. Também decorrem atualmente projetos-piloto em vários países entre os quais, Países Baixos, França, Irlanda e Hungria. O
teste considerado como mais eficaz para detetar o cancro do pulmão numa
fase precoce é feito através de uma tomografia computadorizada torácica
de baixa dose, com necessidade de articulação com o SNS para acesso ao
tratamento de todos os achados no exame. Quando
diagnosticado em fase inicial, o cancro do pulmão apresenta taxas de
sobrevivência substancialmente superiores às verificadas em estádios
avançados, salienta a Pulmonale, sublinhando que o rastreio pode reduzir
a mortalidade em pelo menos 20%.“Sendo o
tabagismo o principal fator de risco no cancro do pulmão, cuja causa é
em mais de 80% atribuída ao tabaco, a Pulmonale acredita que é
fundamental implementar o rastreio junto da população, bem como
incentivar a adoção de estilos de vida saudável que podem levar ao
abandono de hábitos tabágicos”, defende.
A campanha será divulgada através dos circuitos de comunicação de
várias entidades, como autarquias (Coimbra, Oeiras, Vila Pouca de
Aguiar, Póvoa do Varzim, Serpa, Penacova, Barcelos, Mesão Frio,
Pampilhosa da Serra e Penacova), a Junta de Freguesia de Loures, o
Estoril Praia, a Fertágus, o Metro de Lisboa e a NOSSegundo o Global Cancer Observatory, o cancro do pulmão é o mais mortal no mundo, com mais de 1,8 milhões de mortes anuais.