Puigdemont renuncia à pensão de ex-presidente catalão e não aceita destituição
23 de nov. de 2017, 11:54
— Lusa/AO online
“O
Estado continua a ser uma máquina para humilhar instituições e
cidadãos. [O ministro responsável pela Fiscalidade, Cristóbal] Montoro
deveria dedicar o seu tempo a recuperar o dinheiro perdoado do resgate
bancário”, afirmou Puigdemont numa mensagem na rede social Twitter, na
qual renuncia à sua pensão de ex-presidente.Segundo
a imprensa regional catalã, Puigdemont deverá pedir para receber o
salário de deputado regional durante os meses que decorrem até ao começo
da nova legislatura na Catalunha, que deverá acontecer em janeiro
próximo, na sequência das eleições de 21 de dezembro.Uma
diretriz do Ministério das Finanças espanhol solicitava na passada
terça-feira para Puigdemont esclarecer se pedia o estatuto de
ex-presidente, o que implicaria que acatava de forma implícita a ordem
constitucional e reconhecia que foi afastado do cargo que ocupou.Dito
de outra forma, o líder separatista teria de reconhecer, ao contrário
do que afirma, que já não é o “presidente legítimo” da Catalunha.A
Lei (regional) sobre o Estatuto dos Ex-presidentes da Catalunha prevê
que, depois de abandonarem o cargo, estes têm direito a receber um
montante correspondente a 80% do salário que recebiam quando ocupavam o
lugar.O
salário de Carles Puigdemont era de 140.000 euros brutos por ano, ao
qual corresponde uma pensão anual de 112.000 euros, ou seja, mais de
9.000 euros brutos por mês, pensão que não pode manter se tiver um cargo
público ou se participar no conselho de administração de uma empresa.Puigdemont
continua a apresentar-se como o presidente em exercício da Catalunha e
anunciou, quando chegou a Bruxelas (Bélgica), que tinha a intenção de
criar uma estrutura estável do “governo legítimo”.O
presidente regional exonerado refugiou-se na capital belga depois de o
Governo espanhol liderado por Mariano Rajoy, em 27 de outubro, ter
decidido intervir na região, tendo demitido o executivo regional,
dissolvido o parlamento da Catalunha e convocado eleições para 21 de
dezembro.Estas
medidas foram tomadas no mesmo dia em que o parlamento catalão declarou
a independência da Catalunha na sequência de um referendo de
autodeterminação organizado pelo governo regional e considerado ilegal
por Madrid.