Puigdemont recusa afastamento e quer catalães a fazer “oposição democrática”
28 de out. de 2017, 19:15
— Lusa/AO Online
“Numa sociedade democrática são os parlamentos que escolhem os seus
presidentes”, disse Carles Puigdemont numa declaração oficial gravada
previamente e transmitida em direto pelas televisões espanholas.Puigdemont
sublinha que a sua vontade é “continuar a trabalhar” e pede a todos os
catalães “paciência, perseverança e perspetiva”.Na curta
intervenção de cerca de três minutos, Puigdemont explicou que, para
“defender as conquistas conseguidas até hoje”, é preciso manter uma
“oposição democrática” à aplicação das medidas aprovadas em Madrid.“Continuamos
a trabalhar para conseguirmos um país [Catalunha] livre” do domínio
espanhol, afirmou o líder separatista catalão, assegurando que rejeita a
utilização da “força”.Carles Puigdemont fez a declaração oficial
ao lado das bandeiras da Catalunha e da União Europeia, assumindo-se
como líder de um país independente que pertence ao clube europeu.O
parlamento regional da Catalunha aprovou na sexta-feira a meio da tarde
a independência da região de Espanha, numa votação sem a presença da
oposição, que abandonou a Assembleia Regional e deixou bandeiras
espanholas nos lugares que ocupavam.Ao mesmo tempo, em Madrid, o
Senado espanhol deu autorização ao Governo espanhol para aplicar o
artigo 155º. da Constituição para restituir a legalidade na região
autónoma.O executivo de Mariano Rajoy, do Partido Popular
(direita), apoiado pelo maior partido da oposição, os socialistas do
PSOE, anunciou ao fim do dia a dissolução do parlamento regional, a
realização de eleições em 21 de dezembro próximo e a destituição de todo
o Governo catalão, entre outras medidas.A partir de agora, cada
ministério governamental de Madrid irá dirigir os correspondentes
serviços regionais, tendo o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy,
delegado na sua vice-presidente, Soraya Sáenz de Santamaria, as funções e
competências do presidente do governo da Catalunha cessante, Carles
Puigdemont.O Governo regional agora demitido por Madrid, apoiado
desde 2015 por uma maioria parlamentar de partidos separatistas,
organizou e realizou um referendo, considerado ilegal pelo Estado
espanhol, em 01 de outubro último.Nesse dia, numa votação com uma
taxa de participação de 43% dos eleitores, votaram “sim” à
independência 90% e os “constitucionalistas” (defensores da união com
Espanha) boicotaram a consulta, ficando em casa.