Publicado decreto legislativo que cria rede de cuidados paliativos nos Açores
Hoje 12:04
— Lusa/AO Online
Segundo o diploma, que
entra em vigor no sábado, os cuidados paliativos “assumem-se, como um direito humano e representam uma área de desenvolvimento técnico
fundamental nos sistemas de saúde, sendo, como tal, um imperativo ético
organizacional”.A rede de cuidados
paliativos na Região Autónoma dos Açores, que deve estar plenamente
operacional no prazo máximo de 24 meses após a entrada em vigor do
diploma, constitui parte integrante do Serviço Regional de Saúde (SRS) e
vai funcionar no âmbito do departamento do Governo Regional com
competência em matéria de saúde.Os cuidados paliativos são prestados pelas entidades pertencentes ao SRS, nomeadamente hospitais e unidades de saúde de ilha.A
rede de cuidados paliativos dos Açores tem como objetivo global a
prestação de cuidados paliativos a pessoas doentes que,
independentemente da idade e patologia, “estejam numa situação de
sofrimento, decorrente de doença grave ou incurável com prognóstico
limitado e em fase avançada progressiva”.Os
seus objetivos específicos estão relacionados, entre outros, com a
melhoria da qualidade de vida e de bem-estar das pessoas em situação de
sofrimento, através da prestação de cuidados paliativos, o
acompanhamento tecnicamente adequado à situação do doente, em regime
ambulatório, de internamento ou no domicílio e o acesso atempado e
equitativo dos doentes, e suas famílias, aos cuidados paliativos, em
todas as ilhas do arquipélago.A rede de
cuidados paliativos é coordenada por uma estrutura permanente, a
constituir nos termos e com as competências a definir por diploma
próprio, e a sua operacionalização a nível local é assegurada por
equipas locais, segundo o texto hoje publicado.O
Governo Regional deve apresentar anualmente à Assembleia Legislativa da
Região Autónoma dos Açores um relatório de implementação e de execução
do programa.O decreto legislativo regional
foi aprovado por unanimidade pelo parlamento açoriano, na Horta, na
ilha do Faial, no dia 14 de abril.Na
ocasião, na sua apresentação, a secretária regional da Saúde, Mónica
Seidi, salientou a importância dos cuidados paliativos para garantir a
“dignidade” dos doentes e apontou o objetivo de “tratar todos por
igual”, independentemente do “código postal”.“A
criação desta rede é uma resposta estruturada e integrada para pessoas
com doença grave, crónica ou incurável, mas que também se estende às
famílias desses doentes. Os objetivos são claros: cuidados de saúde
centrados na qualidade de vida, na dignidade e no alívio do sofrimento”,
afirmou.A secretária da Saúde destacou
que o diploma pretende “assegurar o acesso equitativo em todas as ilhas
da região” e “articular os recursos existentes” para “evitar respostas
fragmentadas”.“Não foi de forma
desalinhada que trouxemos esta proposta a esta assembleia sem articular
medidas que visam ultrapassar e reduzir as potenciais dificuldades,
desde já com o reforço de recursos humanos nas ilhas sem hospital”,
salientou.