PTRR prevê reforço de meios e reforma do SIRESP, da proteção civil e do INEM
Hoje 10:28
— Lusa/AO Online
As
medidas foram apresentadas pelo primeiro ministro, que sublinhou a
importância de reforçar a capacidade de resposta da Proteção Civil,
tornada evidente durante as tempestades que afetaram Portugal
continental no início do ano."Não há forma
de termos integração de todo este objetivo - que é a recuperação,
proteger e responder - se não tivermos uma Proteção Civil eficiente,
mecanismos de resposta rápidos, articulados e preparados para situações
de crise", afirmou Luís Montenegro.Entre as 96 medidas previstas no plano, está o "reforço da capacidade técnica e operacional da Proteção Civil".O
objetivo, explicou o líder do Governo, é assegurar uma resposta "ainda
mais rápida" e coordenada, incluindo através do reforço da "logística de
emergência", para garantir que "todos os serviços públicos, entidades e
os seus trabalhadores estão antecipadamente mobilizados e entrosados
para poderem ter uma resposta muito mais eficiente e capaz".A
medida, de médio prazo, ou seja, para esta legislatura, implica um
investimento de 300 milhões de euros e inclui a renovação de
equipamentos e veículos, digitalização de sistemas e a criação de
estruturas integradas de comando e resposta multirrisco, segundo um
documento divulgado entretanto pelo Governo que detalha o PTRR. Com
um envelope financeiro global de 22,6 mil milhões de euros e um
horizonte temporal de nove anos, o PTRR prevê também a reforma do
sistema nacional de Proteção Civil e do INEM, bem como do SIRESP, e a
implementação do sistema de alerta público 'Cell Broadcast', utilizado
para enviar mensagens de emergência diretamente para telemóveis.Quanto
à reforma da Proteção Civil, que o Governo tenciona concluir ainda este
ano, com um custo estimado de 29 milhões de euros, o plano prevê a
revisão da orgânica da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção
Civil, clarificando o seu papel como entidade de coordenação, regulação,
financiamento e operação de meios estratégicos nacionais, e a criação
da carreira de Bombeiro, já anunciada pelo ministro da Administração
Interna. Também para o curto prazo, e com
um custo de 90 milhões de euros, a reforma da emergência médica
implicará o reforço de meios tecnológicos, com capacidade de monitorizar
e transmitir dados clínicos em tempo real, melhorando também a
articulação com as unidades de saúde. O
objetivo, refere o documento, é "recentrar o INEM" e ter um sistema de
emergência médica "mais eficaz, célere e centrado no doente". Quanto
ao SIRESP, até ao final do ano, o executivo pretende modernizar a rede,
reforçando a redundância de comunicações, melhorando a cobertura
territorial e integrando aquele sistema com outros de emergência e
proteção civil. A reforma do SIRESP terá um custo estimado de 29 milhões de euros. O
sistema de alerta público, com um custo estimado de 11 milhões de
euros, deverá ser implementado até ao final da legislatura. A medida
inclui o desenvolvimento e operacionalização da plataforma tecnológica,
bem como a integração com as redes dos operadores e a definição de
protocolos de ativação. O documento refere
ainda uma nova Lei da Calamidade, para "regular os apoios e a gestão da
situação em circunstâncias excecionais" e, a médio prazo, a criação de
uma reserva nacional de medicamentos e dispositivos médicos críticos,
que implica a aquisição centralizada e a monitorização de 'stocks' e o
planeamento nacional das "terapias críticas". Ainda
no plano da Saúde, o PTRR inclui um investimento de 277 milhões de
euros a longo prazo - fixado para esta legislatura e a próxima - para
reforçar a capacidade de resposta e a eficiência energética das
infraestruturas.O PTRR foi anunciado pelo
primeiro-ministro em fevereiro na sequência das tempestades que fizeram
19 mortos e centenas de desalojados, sobretudo nas regiões Centro,
Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo.O Governo estimou prejuízos superiores a 5,3 mil milhões de euros devido ao mau tempo.