PSP considera “muito perigosa” a caça aos ratos com armas
26 de out. de 2024, 08:02
— Lusa
“Não estou a ver os agricultores a
usarem armas de fogo para combaterem os ratos. Isso seria uma prática
muito perigosa. Muito perigosa, mesmo!”, frisou o superintendente
Valente Dias numa audição na Comissão de Assuntos Parlamentares,
Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, reunida em Ponta Delgada.Em
causa estava a discussão de uma anteproposta de lei apresentada pelos
cinco deputados do Chega no parlamento açoriano, que pretende alterar o
quadro legal em vigor, no sentido de permitir que os agricultores
açorianos possam recorrer a armas de fogo para combater pragas como os
ratos e as rolas, que “causam elevados prejuízos” nas culturas.“Os
outros métodos de controlo como os rodenticidas, as ratoeiras ou
armadilhas, por vezes, não são eficazes, o que leva alguns agricultores a
terem de recorrer a armas de fogo e de ar comprimido para se verem
livres destas pragas”, recordou um dos autores da proposta, Francisco
Lima, lembrando que, muitas vezes, aqueles que utilizam armas de fogo
para combater pragas “são autuados e perseguidos”.A
intenção do Chega é incluir os ratos e as rolas na lista de espécies
cinegéticas, ou seja, aquelas que é permitido caçar, mas o comandante da
PSP nos Açores considera que “a caça e o controlo de pragas são coisas
diferentes”.“Há mecanismos próprios que
têm como objetivo o controlo de pragas”, recordou Valente Dias,
lembrando que essa matéria deve ser analisada pelos setores da
agricultura, ambiente e saúde pública”, mas não pelas forças de
segurança.Também Diogo Caetano, da
Associação Amigos dos Açores, considerou não fazer sentido que os ratos
possam ser caçados com recurso a armas de fogo, embora admita que o
aumento dos roedores possa transformar-se num problema de saúde pública.“Na
nossa opinião, não faz qualquer tipo de sentido. De forma alguma,
podemos entender o rato como uma espécie cinegética”, insistiu o
ambientalista, adiantando que, “muitas das vezes”, é o próprio homem que
cria o desequilíbrio na natureza, com as suas ações e omissões, que faz
com que determinadas populações de roedores e de aves se possam
multiplicar.