PSP apresentou propostas alternativas para festejos que não foram aceites
Sporting
13 de mai. de 2021, 14:25
— Lusa/AO Online
“A
PSP colocou em cima da mesa propostas diferentes que, no nosso entender,
dariam mais garantias de uma maior capacidade de reação por parte da
PSP”, disse à agência Lusa o vice-presidente do Sindicato Nacional de
Oficiais da Polícia.Bruno Pereira avançou
que a Polícia de Segurança Pública se “opôs veementemente” ao modelo
proposto pelo Sporting para o estádio e para o desfile do autocarro com
os jogadores, tendo apresentado alternativas que permitiriam à PSP “agir
de forma efetiva e não estar sempre a correr atrás do prejuízo”.O
Sporting sagrou-se na terça-feira campeão português de futebol pela
19.ª vez, 19 anos após a última conquista, e durante os festejos
ocorreram confrontos entre os adeptos e a polícia.A
milhares de pessoas concentram-se junto ao estádio, quebrando as regras
da situação de calamidade em que o país se encontra devido à pandemia
de covid-19, em que não são permitidas mais de 10 pessoas na via
pública, nem o consumo de bebidas alcoólicas na rua.O
vice-presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e
dos diretores da PSP precisou que as propostas alternativas
apresentadas pela polícia incluíam um controlo de segurança dos adeptos
quer no estádio quer no Marquês de Pombal.Segundo
o mesmo responsável, este modelo permitiria à PSP ter uma ação efetiva
sobre quem entrava e quem saía do local e sobre o número de pessoas que
lá estariam dentro, bem como detetar quem fosse portador de objetos que
pudessem pôr em causa a integridade física de outras pessoas e dos
polícias.As propostas da PSP foram
apresentadas na reunião de preparação dos festejos em que estiveram
presentes representantes do Ministério da Administração Interna,
Direção-Geral da Saúde, Câmara Municipal de Lisboa e Sporting Clube de
Portugal. Bruno Pereira deu também conta
que a festa junto ao estádio do Sporting foi feita depois de um pedido
de autorização ao abrigo do direito à manifestação feito pela Juve Leo à
Câmara de Lisboa.Segundo o
vice-presidente do sindicato que representa os oficiais da PSP, o pedido
de autorização inclui a indicação de que seria montado uma
infraestrutura com painéis audiovisuais e um disco jóquei.“Sobre
isso a PSP também tomou uma posição quando auscultada pela câmara,
dando nota de que esses elementos poderiam ser claramente potenciadores
de uma concentração ainda maior do que aquela que já era previsível”,
afirmou, salientando que a PSP recomendou que não fosse instalado o
écran gigante.Segundo Bruno Pereira, a câmara não se pronunciou sobre a recomendação da PSP.Sobre
o desfile do autocarro com os jogadores, segundo a PSP, o pedido de
autorização foi feito pelo Sporting à Câmara de Lisboa.Fonte
desta força de segurança disse à Lusa que o diretor da Polícia de
Segurança Pública enviou um ofício ao Ministério da Administração
Interna (MAI) a solicitar uma intervenção política.O
vice-presidente do sindicato que representa a maioria dos comandantes e
dos diretores da PSP apenas confirma o envio do ofício ao MAI, mas
referiu que desconhece o teor.No entanto,
explicou que o MAI não tem poder efetivo legal para “influir sobre a
decisão da câmara”, que é a entidade licenciadora, podendo apenas ter
uma influência política para “os alertar para aquilo que podia ser um
cenário mais catastrófico ou mais difícil de gerir”. Bruno
Pereira recordou que, no ano passado quando o Futebol Clube do Porto
foi campeão, Portugal estava também em situação de calamidade devido à
covid-19 e a câmara proibiu que os jogadores festejassem na rua e a
existência do cortejo.O primeiro-ministro
anunciou na quarta-feira no parlamento que o Governo pediu à
Inspeção-geral da Administração Interna a abertura de um inquérito à
atuação da PSP nos festejos do Sporting como campeão nacional de
futebol.Em comunicado, a direção nacional
da PSP refere que os festejos dos adeptos do Sporting em alguns locais
de Lisboa resultaram em "alterações relevantes da ordem pública” e que
foi necessário reforçar o dispositivo policial para “restabelecer a
ordem e tranquilidades públicas” e “conter as desordens”, que
consistiram “no arremesso, na direção dos polícias, de diversos objetos
perigosos, incluindo garrafas de vidro, pedras e artefactos
pirotécnicos, que também atingiram outros cidadãos”.A
PSP diz que usou a força pública, incluindo o disparo de balas de
borracha, para fazer face aos comportamentos "desordeiros e hostis por
parte de alguns adeptos”.