PSP alerta para aumento de casos de burla por falsos acidentes
2 de mai. de 2025, 12:30
— Lusa/AO Online
Em comunicado, a
PSP explica que nestes casos os burlões abordam a vítima quando está a
efetuar alguma manobra – na maior parte das vezes marcha-atrás -,
sobretudo em estacionamentos de grandes superfícies comerciais, afirmam
que embateu na sua viatura e pedem compensação imediata em dinheiro
pelos danos, usando manipulação e intimidando.As
denúncias deste tipo de casos tem aumentado e no primeiro trimestre
deste ano já foram recebidas 111, “o que corresponder a cerca de 58% do
total das ocorrências registadas em todo o ano de 2024” (190).A
PSP explica que as vítimas, normalmente pessoas idosas, vulneráveis
quer pela idade, doença ou fragilidade económica, acabam por ser
coagidas a entregar quantias monetárias com o recurso à intimidação e/ou
ameaça física.A abordagem às vítimas pode
ocorrer de imediato, quando a vítima está parada dentro da viatura, ou
quando já iniciou a marcha, sendo nestes casos seguida pelo suspeito
numa outra viatura e levando a vítima, através de sinais de luminosos,
sonoros ou apenas por gestos, a parar para perceber o que se passa.O
número de denúncias em 2024 superou em mais do dobro as registadas em
2021 e a PSP diz que 2025 deverá ser um ano de ascensão neste fenómeno
criminal de burla.Por vezes, segundo a
força de segurança, há “situações em que não há qualquer envolvimento
direto de viaturas”, mas “o suspeito alega um atropelamento, no qual os
danos alegadamente provocados foram físicos ou materiais”, por exemplo,
com telemóveis ou óculos.Depois da
primeira abordagem, o burlão solicita o pagamento pelos danos causados
(físicos ou materiais), pressionando a vítima à entrega de dinheiro no
momento, sem necessidade de participação do acidente e sem a presença da
autoridade policial, e alegando que desta forma evitam acionar o seguro
e tratam o assunto com maior celeridade. As
autoridades detetaram recentemente a existência de algumas situações em
que o autor apresenta à vítima um terminal de pagamento automático
(TPS), insistindo no pagamento imediato.Em
qualquer dos casos, “para credibilizar todo o enredo, o burlão
apresenta à vítima dor física, no caso da simulação de atropelamento, ou
o dano no objeto em questão (quebra ou risco, seja na viatura ou no
telemóvel), que normalmente já existia antes do alegado embate”.Quando
se trata de danos em viatura, ainda junto da vítima – explica a PSP -, o
suspeito simula um contacto telefónico de voz com uma oficina de
reparação automóvel ou com uma operadora de comunicações, transmitindo o
dano e fingindo receber um valor de orçamento, que transmite à vítima.Nos
últimos quatro anos, a PSP registou um total de 625 denúncias deste
crime, que no ano passado aumentou 47% face a 2023 (129).A
nota da PSP refere ainda que o período preferencial para este tipo de
crimes é entre as 10:00 e as 16:00 e os locais privilegiados os parques
de estacionamento de superfícies comerciais e vias com pouco fluxo de
trânsito, normalmente não abrangendo sistemas de videovigilância.
A PSP diz estar atenta a este fenómeno e, além da aposta na repressão
através dos mecanismos de investigação criminal, aumentou os esforços
de prevenção, sensibilizando os cidadãos para que adotem comportamentos
de segurança.Assim, aconselha a que nunca
se pague qualquer valor por situações em que não se tem a certeza de ter
responsabilidade e a desconfiar de abordagens deste tipo.Pede
ainda aos cidadãos que desconfiem de abordagens em que o autor não quer
acionar o seguro, nem contactar a polícia, apenas pretendendo o
pagamento em dinheiro e oferecendo-se para o acompanhar à caixa
multibanco.Segundo a polícia, nunca se
deve pagar em terminais de pagamento automático apresentados por
desconhecidos e, na incerteza das situações, deve-se sempre contactar as
autoridades e solicitar a participação do acidente.Quando
se verificar que se está a ser seguido por outra viatura, que efetua
sinais para encostar o carro, não se deve parar. Contudo, se o condutor
optar por parar, deve fazê-lo em locais com movimento de pessoas.Caso
se viva situações destas, a PSP aconselha ainda a reter o máximo de
informação sobre os alegados burlões, como características físicas
(idade, altura, forma de vestir e falar), assim como informação dos
veículos em que estes se fazem transportar e as características dos seus
acompanhantes, se for o caso.