PSP alerta para aumento das burlas “Olá pai, olá mãe”
22 de nov. de 2023, 12:43
— Lusa/AO Online
Em 2019, verificaram-se
6.758 casos de burla informática e nas telecomunicações, um valor que
subiu para os 10.910 entre janeiro e outubro deste ano, refere a direção
nacional da PSP. Em 2022, o número total deste tipo de burlas atingiu
os 11.241 casos.O número de detidos passou
de dois em todo o ano de 2019 para 31 até outubro deste ano, com o
número de suspeitos a subir de 251 para 390, no mesmo período. “De
entre os potenciais riscos a que, inevitavelmente, os utilizadores se
expõem com o uso das novas tecnologias, a PSP destaca este ano a burla
que ficou conhecida por ‘Olá pai, olá mãe’, cujo número de ocorrências
tem vindo a aumentar”, pode ler-se no comunicado. Os
suspeitos utilizam maioritariamente a plataforma de mensagens Whatsapp e
apresentam-se como um familiar muito próximo - normalmente filhos ou
filhas - da potencial vítima e pedem dinheiro, alegando que mudaram de
número. “As ocorrências sinalizadas
registam-se por todo o território nacional, com especial incidência nas
zonas urbanas de maior densidade populacional”, alerta a PSP,
salientando que a troca de mensagens “poderá manter-se durante horas,
com conteúdo informal e registos do dia-a-dia, com o intuito de avaliar a
relação de proximidade entre a potencial vítima e o seu descendente”.As
autoridades recomendam a qualquer pessoa que, quando confrontada com
algo do género, tente fazer uma chamada de voz para o número, “a
primeira e mais rápida forma de prevenção e de despiste de que poderá
estar a ser alvo de uma tentativa de burla”.A
PSP pede as vítimas não realizem qualquer transferência de dinheiro
“sem, pelo menos, previamente conseguir falar de viva voz e reconhecer a
pessoa com quem pensa estar em conversação” e, nos casos em que isso
não seja possível, devem fazer perguntas simples que o seu interlocutor
deveria conhecer, como datas de aniversário ou outra informação pessoal.
“As burlas constituem um fenómeno
criminal em crescendo, em contraciclo com a tendência da criminalidade
geral no nosso país” e “apesar da existência de um maior acesso à
informação e uma população mais informada, o célebre ‘conto do vigário’
continua a ser uma forma eficaz de obtenção ilegítima de valor
patrimonial alheio”, alerta a PSP. Segundo
as autoridades, “os idosos continuam a ser as principais vítimas de
vários tipos de burlas praticadas pelos suspeitos”, mas, nos últimos
anos, “acompanhando a evolução tecnológica e as potencialidades do mundo
digital”, os suspeitos “têm atingido outro tipo de vítimas”.