PSP abre processo disciplinar ao polícia que terá avisado sobre investigação da esquadra do Rato
Hoje 10:26
— Lusa/AO Online
Numa
resposta enviada à Lusa, a Polícia de Segurança Pública refere que o
polícia suspeito “está devidamente identificado e foi determinada a
instauração de um processo disciplinar e a transferência do seu local de
trabalho pelo Comandante do Comando Metropolitano de Lisboa”.A
PSP refere também que “seguir-se-ão diligências em termos processuais
penais e disciplinares para apuramento dos factos imputados ao
suspeito”.A abertura deste processo surge
após a TVI/CNN ter noticiado no sábado que um agente terá violado o
segredo de justiça e transmitido informações sobre a investigação a pelo
menos um dos suspeitos, que informou os colegas. Isso
permitiu aos polícias saberem alguns dos locais que iriam ser alvo de
buscas, pedir aconselhamento a advogados e, em pelo menos um caso, pedir
baixa médica no dia antes da operação.A
PSP sublinha ainda que a investigação teve início com base numa denúncia
efetuada pela PSP ao Ministério Público, tendo coadjuvado o MP desde o
início em todas as fases do processo de inquérito, assim como na
execução de diversas diligências processuais, nomeadamente buscas
domiciliárias e não domiciliárias, detenções e apreensões, que
culminaram até ao momento com a aplicação, entre outras, de prisão
preventiva para 13 polícias.Na semana
passada, a PSP e o MP realizaram a terceira operação no âmbito dos casos
de tortura e violações na esquadra do Rato, tendo sido detidos 15
polícias e um civil, segurança de um espaço noturno.Um
dos agentes foi libertado logo depois da detenção e o civil saiu em
liberdade na quinta-feira, depois de o tribunal de instrução ter
aceitado o pedido de habeas corpus por detenção ilegal.Dos
restantes 14 polícias, o tribunal decidiu hoje aplicar a quatro a
medida de coação de prisão preventiva, medida que poderá passar a
domiciliária, por um crime de abuso de poder e dois crimes de tortura,
tendo os restantes 10 ficado em liberdade, dois dos quais foram
suspensos de funções e proibidos de contactar com os ofendidos por
suspeitas de um crime de abuso de poder e um crime de tortura.Com
a detenção destes 15 polícias - 13 agentes e dois chefes -, aumentou
para 24 o número de elementos da Polícia de Segurança Pública envolvidos
no processo de alegadas torturas e violações nas esquadras do Largo do
Rato e do Bairro Alto, numa investigação denunciada pela PSP.Muitos desses abusos foram filmados e partilhados em grupos de WhatsApp com dezenas de outros agentesAs
primeiras duas detenções ocorreram em julho de 2025 e outras sete em
março de 2026, estando os nove polícias em prisão preventiva.