PSOE e Governo espanhol garantem "tolerância zero" à corrupção após condenação de ex-ministro

Hoje 16:44 — Lusa/AO Online

O PSOE "atuou desde o primeiro minuto" e com "tolerância zero" em relação ao ex-ministro e ex-dirigente socialista Jose Luis Ábalos, que foi expulso do partido em 2024, quando surgiram as suspeitas de corrupção por que foi hoje condenado, realçou o partido, num comunicado."A justiça falou e as suas resoluções devem ser respeitadas e cumpridas", disse o PSOE, que sublinhou a "posição clara desde o primeiro momento" e de "máxima contundência perante qualquer comportamento irregular" do partido, incluindo "colaboração total" com a investigação judicial.Também o Governo espanhol lamentou e condenou "sem paliativos" uns comportamentos que "claramente atentam contra os princípios" de um executivo "que acredita na transparência, no mérito e na integridade" como valores “fundamentais do serviço público" e que desde 2018 aprovou leis e adotou práticas com esse objetivo."Comprometemo-nos a continuar a trabalhar para construir uma Espanha exemplar em que a corrupção não seja tolerada", disseram fontes da Presidência do Governo.O ex-ministro dos Transportes Jose Luis Ábalos foi hoje condenado a 24 anos e três meses de prisão por corrupção em contratos públicos para compra de máscaras na pandemia de covid-19.Além de Ábalos, que integrou governos de Pedro Sánchez, foram julgados e condenados o antigo assessor do ex-ministro Koldo García (19 anos e oito meses de prisão) e o empresário Victor de Aldama, que colaborou com a justiça e confessou os crimes (quatro anos e meio de prisão suspensa).O tribunal deu como provados, entre outros, delitos na adjudicação de contratos para a compra de máscaras durante a pandemia de covid-19 por empresas públicas ligadas ao Ministério dos Transportes, assim como uma "remuneração mensal de 10.000 euros" a Ábalos e o pagamento de alugueres de casas em troca de diversos favores, influências e adjudicações de contratos.A porta-voz do PSOE, Montse Mínguez, em linha com outros dirigentes socialistas e outros partidos de esquerda, questionaram hoje a atenuante de que beneficiou o empresário Victor de Aldama."Quem faz, que pague, obviamente, mas 24 anos para Ábalos, 19 anos para Koldo e quatro anos para o cabecilha, Aldama, que evita a prisão porque assim o pediu o PP [Partido Popular]. Vale a pena ser corruptor em Espanha? Porque, sinceramente, custa entender", escreveu Montse Mínguez, na rede social X.O PP encabeçou as designadas "acusações populares" neste caso e pediu para Aldama uma pena inferior aos sete anos de prisão que tinha solicitado o Ministério Público.O líder do PP, Alberto Núñez Feijóo, pediu hoje a demissão do primeiro-ministro e eleições imediatas, após a condenação de Ábalos.Feijóo sublinhou que o antigo ministro foi um “braço direito” de Sánchez e considerou que “há responsabilidades políticas e essa responsabilidade política tem nome e apelidos, Pedro Sánchez Pérez-Castejón”.O líder do PP lembrou que, além deste caso, outros antigos dirigentes do PSOE e pessoas próximas do primeiro-ministro estão também envolvidas em casos judiciais e definiu Sánchez como um líder de Governo "rodeado de corrupção".Além do PP, também o Vox (extrema-direita) pediu hoje a demissão de Sánchez e a antecipação das eleições previstas para 2027.O ex-ministro Ábalos esteve no Governo entre 2018 e 2021. Foi um dos dirigentes do PSOE mais próximos de Sánchez, por fazer parte do núcleo duro que o acompanhou no percurso até à liderança do PSOE (em 2017) e do Governo (em 2018).O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver "indícios muito graves" de corrupção envolvendo antigos dirigentes do PSOE, pediu desculpa e perdão aos espanhóis e aos militantes da força política, mas tem reiterado que o partido é "uma organização limpa" e não há suspeitas de financiamento ilegal.