PSD vê situação atual com “muita preocupação” e Governo desorientado
Estado da Nação
18 de jul. de 2022, 09:14
— Lusa/AO Online
“O
estado da nação para o PSD é bastante preocupante. Nós temos um Governo
que tem quatro meses, mas que está desorientado, desorganizado e,
sobretudo, sem capacidade reformista, cansado”, afirmou Joaquim Miranda
Sarmento em declarações à agência Lusa, no âmbito do debate sobre o
Estado da Nação, que decorre na quarta-feira na Assembleia da República.
Para o líder parlamentar
social-democrata, o Governo “tem todas as condições de governação: tem
uma maioria absoluta, tem o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) que
o primeiro-ministro, durante mais de um ano, vendeu como a grande
‘bazuca’ que ia resolver os problemas do país, e tem um ambiente
institucional de colaboração com os outros poderes”. No
entanto, apesar destas condições, Joaquim Miranda Sarmento acusou o
executivo de António Costa de não ser “capaz de promover as reformas
estruturais para resolver os problemas graves que o país tem”, nem de
“resolver aquilo que são problemas mais conjunturais, mas que afetam o
dia a dia dos portugueses de forma muito significativa”.Entre
as áreas que identificou como precisando de reformas estruturais, o
líder parlamentar do PSD abordou “a competitividade da economia”,
sublinhando a necessidade de se “atacar aquilo que são os
estrangulamentos da falta de crescimento económico e da baixa
produtividade da economia portuguesa”.Miranda
Sarmento destacou ainda a “questão do ordenamento do território” e da
descentralização, mas também a “questão demográfica, com o
envelhecimento da população e com a redução da população total e ativa” e
a “questão da educação e das competências”. “Todos
estes problemas que são estruturais e condicionam a capacidade do país –
por um lado, crescimento económico e, com isso, gerar mais riqueza e
pagar melhores salários; e, por outro, gerar melhores recursos para, com
uma melhor gestão pública, ter melhores serviços – são as duas grandes
questões que se colocam neste momento”, afirmou. Perante
estes “problemas estruturais”, que implicam “políticas de médio e longo
prazo que sejam estáveis”, Miranda Sarmento apelou a que o Governo e o
Partido Socialista dialoguem com os restantes partidos, e designadamente
com “o maior partido da oposição”.“É
importante que existam consensos no país – para lá até dos agentes
políticos – sobre as grandes reformas que temos de fazer, para que
possamos evitar que esta década e até a próxima sejam uma repetição das
últimas duas, de estagnação económica, baixos salários e rendimentos, de
muitos jovens a emigrar e de uma acentuada degradação do estado do país
e do estado dos serviços públicos”, sublinhou. O
líder parlamentar do PSD considerou, contudo, que essa vontade de
diálogo por parte do executivo “tem sido pouco demonstrada”, afirmando
que, mesmo quando o PS governava em minoria, “ela foi sempre muito
reduzida” e, nestes primeiros meses de maioria absoluta, “foi
praticamente inexistente”. “Creio que, nos
próximos tempos, face aos desafios que o país vai enfrentar e face às
medidas e às reformas que o país tem de fazer, teremos de facto a
confirmação ou não se existe essa vontade de diálogo”, afirmou.Eleito
líder da bancada parlamentar social-democrata na última quarta-feira,
Miranda Sarmento não quis projetar, para já, quais vão ser as
prioridades legislativas do PSD a partir de setembro, mas prometeu que o
partido vai ter “uma produção legislativa muito significativa”.