PSD sem indicação de voto na segunda volta

Presidenciais2026

18 de jan. de 2026, 21:56 — Lusa/AO Online

"Não emitiremos nenhuma indicação, nem é suposto fazê-lo", declarou o presidente do PSD e primeiro-ministro aos jornalistas, na sede nacional deste partido, em Lisboa, depois de uma reunião da Comissão Permanente Nacional, o órgão partidário mais restrito de direção.Sobre o candidato apoiado pelo PSD, Luís Marques Mendes – que nesta altura, segundo os resultados provisórios, tinha cerca de 12% dos votos –, Luís Montenegro disse que se apresentou nestas eleições de "forma particularmente empenhada e honrosa" e aceitou "democraticamente o veredicto e a escolha dos portugueses".O chefe do Governo PSD/CDS-PP considerou que o espaço do seu partido "não estará representado" numa segunda volta entre António José Seguro, ex-secretário-geral do PS, e André Ventura, presidente do Chega."Nós aceitamos essa escolha com humildade democrática. O PSD, portanto, não estará também envolvido na campanha eleitoral", afirmou Luís Montenegro, acrescentando que o seu partido "foi escolhido para governar o país e é isso que fará nas próximas três semanas, como de resto nos próximos anos".O presidente do PSD começou por saudar os portugueses pela participação nas eleições e depois, em nome do seu partido, felicitou "todos os candidatos", em particular os que vão disputar uma segunda volta.Luís Montenegro descreveu o ex-secretário-geral do PS, António José Seguro, como "o candidato que representa o espaço político à esquerda do PSD" e o presidente do Chega, André Ventura, como "o candidato que representa o espaço político à direita do PSD"."Exatamente na decorrência daquilo que estou a dizer, a conclusão que o PSD tira desta eleição é que o seu espaço político não estará representado nesta segunda volta, em virtude do resultado obtido pelo candidato que apoiámos e pela circunstância de o nosso espaço político ter tido uma divisão de votos que não ocorreu nos dois espaços que mencionei", acrescentou.Por outro lado, assinalou as vitórias do seu partido em eleições legislativas, regionais e autárquicas: "O PSD estará a governar Portugal, estará a governar as regiões autónomas, estará a governar a maioria das câmaras municipais, no decurso de uma escolha legítima, livre, democrática dos portugueses"."O PSD não estará envolvido na campanha presidencial, também no decurso de uma escolha legítima, democrática e livre dos portugueses. Aceitamo-lo com tranquilidade, com tolerância democrática. Evidentemente que não ficámos satisfeitos, mas aceitamos aquela que é a escolha legítima, livre e democrática", concluiu.No fim da sua declaração, Luís Montenegro respondeu apenas a uma pergunta da comunicação social, sobre a opção de apoio a Marques Mendes, e a seguir escusou-se a responder se o princípio que definiu para a governação de "não é não" em relação ao Chega não se aplica em presidenciais.Antes de se retirar, o presidente do PSD avisou: "Não vale a pena andarem com jogos políticos e aqueles que estão muito interessados em promover questões nas próximas três semanas podem fazê-lo, são naturalmente também livres de o fazer, mas não vão encontrar uma resposta diferente desta".Luís Montenegro desejou "um bom trabalho" aos jornalistas que tentavam questioná-lo e fez votos para que "nas próximas semanas o debate continue a ser um debate elevado, esclarecedor e os portugueses possam participar igualmente com muita taxa de participação" na segunda volta.Quando o presidente do PSD falou, os dados provisórios da Secretaria-Geral do Ministério da Administração colocavam António José Seguro em primeiro e André Ventura em segundo, seguidos de João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo, com Marques Mendes em quinto lugar nas eleições presidenciais de hoje.