PSD quer alargar deduções com habitação no IRS e permitir às autarquias cobrar menos IMI
OE2023
11 de nov. de 2022, 17:11
— Lusa/AO Online
Estas propostas fazem parte de um
leque de cerca de 200 alterações que os sociais-democratas vão entregar
à proposta de Orçamento do Estado e que têm um custo estimado de 500
milhões de euros, cerca de 0,2% do PIB, segundo os sociais-democratas.“Não
coloca em causa o objetivo do défice e da dívida que o Governo tem no
Orçamento do Estado (…) Há margem do lado da receita fiscal face ao
cenário macroeconómico para incorporar estas medidas”, defendeu o líder
parlamentar do PSD Joaquim Miranda Sarmento, em conferência de imprensa
no parlamento.Entre as novidades hoje
apresentadas – o PSD já tinha anunciado no início de outubro as suas
grandes prioridades para este Orçamento – conta-se uma proposta de
reforço do número de camas para os estudantes deslocados através da
celebração de um Contrato Plurianual, até ao fim da legislatura, entre o
Governo e o setor privado, social, autarquias e IPDJ para resolver os
problemas de alojamento.A redução da
tributação da poupança em IRS (reduzindo a taxa liberatória dos atuais
28% para 10% para poupanças até 100 mil euros), o aumento das deduções
com despesas de educação em IRS para mil euros ou a isenção de IVA na
aquisição de bens alimentares para o setor solidário durante o ano de
2023 são outras das propostas sociais-democratas para a discussão na
especialidade.Na conferência de imprensa,
estiveram presentes os vice-presidentes da bancada Hugo Carneiro, Clara
Marques Mendes e Ricardo Baptista Leite.Hugo
Carneiro detalhou as alterações na área da habitação, explicando que os
municípios poderão, no caso da habitação própria e permanente, reduzir a
tributação do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para um mínimo de
0,1%, quando atualmente era de 0,3%. Por
outro lado, recupera-se a possibilidade de as famílias poderem deduzir
no IRS os encargos com juros e capital no crédito à habitação (apenas no
caso de habitação própria e permanente), atualizando o valor da dedução
para 680 euros.Na área dos apoios às
empresas, além da proposta que já tinha sido apresentada de reduzir o
IRC de 21 para 19%, o PSD vai propor a alteração do regime de Sistema de
Incentivos Fiscais à Investigação e Desenvolvimento Empresarial
(SIFIDE), excluindo os fundos de investimento e aumentando as despesas
elegíveis na transição energética, ambiental e digital, e que as
empresas possam recorrer a operações de “factoring”, ou seja, que possam
descontar as faturas que tenham a haver do Estado junto de instituições
financeiras autorizadas para poder recuperar mais cedo o seu dinheiro.“Os contratos públicos que têm vindo a ser celebrados muitas vezes proíbem esta operação”, destacou.Na
área do apoio á família, natalidade e economia social, Clara Marques
Mendes destacou a proposta já anunciada em outubro de alargamento da
gratuitidade das creches do privado, com efeitos retroativos a setembro
de 2022, e a atribuição do direito à prestação social de inclusão logo
que seja requerida.Para reforçar a
sustentabilidade das IPSS, o PSD propõe ainda redução do IVA para 6% em
obras realizadas nestas instituições e a isenção do IVA na alimentação.Ricardo
Baptista Leite destacou, na área da saúde e bem-estar, a proposta –
também já conhecida – de o Estado poder contratar, de forma transitória,
no setor privado e social para garantir que todos os portugueses têm um
médico de família.Mais incentivos para os
profissionais de saúde e vales para os doentes recorrerem ao privado
para diminuir os tempos de espera para operações, consultas e exames, o
aumento do número de camas nos cuidados continuados e paliativos e um
cheque psicólogo (que funcionaria nos mesmos moldes que o cheque
dentista) são outras propostas do PSD nesta área.A
redução da taxa máxima de IRS de 15% para os jovens até 35 anos
(excluindo os do último escalão) e a atualização dos escalões do IRS em
7,4% (ao contrários dos 5,1% propostos pelo Governo) eram outras
propostas do PSD já conhecidas e hoje formalizadas no parlamento.Questionado
se existe expectativa quanto à aprovação do PS de alguma das propostas,
o líder parlamentar respondeu não ter qualquer indicação da parte dos
socialistas.“Veremos como o PS decidirá o
seu sentido de voto”, afirmou, reiterando que este “é um orçamento que
fica muito longe de corresponder às necessidades do pais”, considerando
que “não apoia as famílias, não defende as empresas e conduz o país ao
empobrecimento”.