PSD “nada tem a opor” à declaração do estado de emergência
Covid-19
2 de nov. de 2020, 17:35
— Lusa/AO Online
Em declarações aos jornalistas no final de uma
audiência com o Presidente da República, Morais Sarmento considerou que
“o pedido/proposta do Governo” ao Presidente da República tem dois
objetivos.“Legitimar e dar segurança
jurídica a medidas já tomadas e dar cobertura a medidas que, em termos
de rastreio e de circulação, só podem ser tomadas com estado de
emergência em vigor (…) A esse pedido/proposta, o PSD nada tem a opor”,
disse.No entanto, Morais Sarmento fez
questão de salientar que essa concordância com o instrumento jurídico do
estado de emergência “nada tem a ver com a concordância com cada uma
das medidas que seja ou possa vir a ser tomada”, dizendo até que os
sociais-democratas as desconhecem.O
vice-presidente do PSD também não se comprometeu com uma duração mais
prolongada do estado de emergência, como foi hoje defendido pelo
primeiro-ministro, e até disse que os sociais-democratas não desejam que
dure vários meses.“Aquilo que a lei diz é
claro, a temporalidade é a que conhecem [15 dias], a renovação é
obrigatória findo o prazo previsto. Se o primeiro-ministro anseia por
uma duração superior à que está prevista na lei, nós pronunciar-nos-emos
quando a renovação for colocada em cima da mesa. Não temos nenhum
anseio que o estado de emergência dure dois, três, quatro meses, pelo
contrário. A nossa posição é que deve existir apenas na justa medida em
que seja necessário”, defendeu.Questionado
por várias vezes sobre a amplitude do estado de emergência pretendido
pelo Governo, Morais Sarmento recusou sempre pronunciar-se sobre medidas
em concreto.“O PSD não se pronuncia sobre
nenhuma medida em concreto, porque nenhuma medida existe. O que existe é
concordar ou obstaculizar que seja acionado um regime jurídico
excecional”, disse, recusando dizer se o partido considera as medidas
“poucas ou muitas, curtas ou suficientes”, remetendo essa análise para
quando forem anunciadas.Na audiência com o
Presidente da República, Morais Sarmento esteve acompanhado
presencialmente pelo presidente do Congresso do PSD Paulo Mota Pinto,
enquanto o presidente do partido, Rui Rio, entrou por videoconferência.No
Porto, à margem de uma iniciativa partidária, Rio já tinha hoje
afirmado que apoiará o Governo e o Presidente da República se estes
entenderem que o “interesse nacional” e razões de constitucionalidade
justificam a declaração do estado de emergência devido à pandemia da
covid-19.“Se o Governo entende que as
medidas que pretende tomar são inconstitucionais se não tiver o estado
de emergência, se o senhor Presidente da República também entende assim,
então obviamente que eu dou o meu apoio”, afirmou.O
primeiro-ministro propôs hoje ao Presidente da República que seja
decretado o estado de emergência - que pretende ver renovado por um
período alargado - "com natureza preventiva" para "eliminar dúvidas"
sobre a ação do Governo para a proteção dos cidadãos em relação à
pandemia da covid-19 em quatro áreas.As
quatro dimensões em que o executivo pretende um quadro jurídico mais
robusto são as restrições à circulação em determinados períodos do dia
ou de dias de semana, ou, ainda, entre concelhos; a possibilidade de
requisição de meios aos setores privado e social da saúde; a abertura
para a requisição de trabalhadores (seja no público ou no privado),
alterando eventualmente o seu conteúdo funcional, para auxiliarem em
missões consideradas urgentes no combate à pandemia; e a legalidade da
recolhe de temperatura, seja no acesso ao local de trabalho, seja no
acesso a qualquer outro espaço público.