PSD/Madeira diz que processo de revisão do subsídio de mobilidade "acabou pior"
Hoje 17:00
— Lusa/AO Online
“Nenhum
partido nesta casa [Assembleia Legislativa da Madeira] defendeu o fim
do teto máximo”, disse Jaime Filipe Ramos no plenário do parlamento
madeirense, no Funchal.O eleito do PSD
sublinhou que a preocupação não é com os interesses das companhias
aéreas, mas com a Madeira e os madeirenses, numa intervenção sobre as
alterações aprovadas na passada sexta-feira ao referido subsídio, na
Assembleia da República.Com estas
mudanças, o acesso ao Subsídio Social de Mobilidade passa a ser
designado por Mecanismo de Continuidade Territorial (MCT), deixa de
estar dependente da situação contributiva dos beneficiários e da
apresentação de recibo, caindo também o teto máximo do custo elegível da
passagem.O valor do reembolso atribuído a
residentes e estudantes das regiões autónomas resulta da diferença
entre o custo elegível da passagem e a tarifa máxima suportada pelo
residente. Se o custo da passagem for superior ao teto máximo, o
passageiro tem de suportar esse valor adicional.O
Subsídio Social de Mobilidade estabelece uma tarifa máxima para os
residentes de 79 euros e para estudantes de 59 euros nas ligações entre a
Madeira e o continente (ida e volta), com um teto máximo de 400 euros.Nos
Açores, a tarifa máxima suportada pelos residentes nas viagens para o
continente é de 119 euros e a suportada pelos estudantes é de 89 euros,
tendo sido aplicado recentemente um teto máximo de 600 euros.Pelo
JPP, o líder da bancada do maior partido da oposição (ocupa 11 dos 47
lugares no hemiciclo), Élvio Sousa, argumentou que “quem manda e executa
é o poder político e não o económico”, apontando que o subsidio de
mobilidade “não é, nem pode ser um concurso partidário”. “Vamos trabalhar para que os madeirenses paguem com justiça apenas 59 e 79 euros. É esse o caminho”, declarou.Já
o PS, através do responsável da sua bancada, Paulo Cafôfo, afirmou que
“esta trapalhada toda foi do PSD, na Assembleia da República", acusando o
Governo Regional da Madeira de "estar ao lado da EasyJet e não dos
madeirenses".Por seu turno, o deputado
único da Iniciativa Liberal (IL), Gonçalo Maia Camelo, opinou que a
eliminação do teto máximo para reembolso irá aumentar os preços.As
alterações ao Subsídio Social de Mobilidade foram aprovadas em votação
final global com os votos a favor de PS, Chega, BE, Livre, PAN e JPP, as
abstenções de CDS-PP, IL e PCP e o voto contra do PSD (com exceção dos
seis deputados eleitos pelos Açores e pela Madeira, que votaram a
favor).No sábado, o presidente do Governo
Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, avisou que a eliminação do teto
“pode ter implicações muito negativas”, alertando que algumas
companhias aéreas poderão recusar operar as ligações para a região.“Estas
companhias não são do Estado, são companhias que funcionam no mercado
aberto e por isso têm sucesso”, disse, reforçando: “Essas companhias
funcionam tendo por base uma coisa que chama a previsibilidade”.Em
debate no plenário de hoje do parlamento da Madeira esteve ainda um
projeto de proposta de Lei à Assembleia da República que “reforça a
proteção social em caso de óbito de menor e cria o apoio à trasladação
em todo o território nacional”, da autoria do Chega.Os
deputados também analisaram uma proposta do PSD que visa atualizar o
regime do “Direito de Iniciativa Legislativa - Cidadãos Eleitores da
Região Autónoma da Madeira”, criado em 2026, na altura em que se
assinalam os 50 anos da autonomia, por estar “desfasado da atual
realidade”, por “apresentar limitações”, “para corrigir falhas, melhorar
procedimentos e ajudar a fazer melhor”, segundo o deputado
social-democrata Bruno Macedo.As propostas deverão ser votadas em plenário na quarta-feira.