PSD força ida à AR da ministra do Ensino Superior sobre contingente das regiões autónomas
18 de jan. de 2023, 05:46
— Lusa/AO Online
"O grupo parlamentar do PSD na Assembleia da
República formalizou o agendamento potestativo da audição à
ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, face ao chumbo pelo
PS, impedindo que a governante preste esclarecimentos sobre a redução do
contingente de acesso ao Ensino Superior para os Açores e Madeira, no
local próprio, que é a Assembleia da República", lê-se numa nota do
partido, hoje divulgada.A decisão foi
comunicada durante a reunião da comissão parlamentar de Educação e
Ciência, depois de o PS ter rejeitado o requerimento dos
sociais-democratas para uma audição urgente à ministra. Além do PS, no
momento da votação estavam apenas PSD e Chega, que votaram a favor. No
dia 06 deste mês, o jornal Público revelou que, no âmbito da revisão do
modelo de acesso ao ensino superior, o Governo pretende reduzir as
vagas destinadas aos alunos dos Açores e da Madeira no ensino superior
do continente.Assim, cada um dos
contingentes especiais para candidatos oriundos das regiões autónomas
passaria a ter 2% das vagas reservadas em cada curso, sendo que,
atualmente, 3,5% dos lugares estão guardados para alunos da Madeira e
dos Açores, segundo uma proposta, a que o jornal teve acesso.Na terça-feira, quando questionada pelos jornalistas durante uma visita ao teleporto de
Santa Maria, nos Açores, a ministra do Ensino Superior, Elvira
Fortunato, disse que não é o momento para reduzir o contingente de
acesso às universidades do continente para os alunos das regiões
autónomas, mas admitiu que a medida foi equacionada."Equacionou-se,
eventualmente, fazer uma redução na quota atribuída aos Açores e à
Madeira. É evidente que isso foi proposto e foi assunto para se
discutir. E chegou-se à conclusão que não seria, dentro das várias
soluções a adotar, a melhor solução na altura que estamos a viver neste
momento", afirmou.O deputado do PSD Paulo
Moniz, eleito pelos Açores, citado no comunicado, considera
"preocupante" que o PS tente impedir esta audição, "ainda por mais
quando todo o assunto continua numa espécie de nebulosa"."Afinal
a senhora ministra num dia diz que vai ser o acesso reduzido e agora
diz que, neste momento, não", afirma o parlamentar social-democrata,
acrescentando: "É evidente que esteve e pelos vistos continua a estar em
cima da mesa uma redução da quota atribuída aos Açores e à Madeira para
o acesso ao Ensino Superior. Isso foi proposto e discutido, chegando-se
porventura à conclusão que não seria a melhor solução, por agora".Paulo
Moniz sublinha ainda que "não foram ouvidos os governos próprios, nem
foi ouvida a Assembleia da República", justificando assim, também, a
necessidade de obter esclarecimentos de "forma definitiva" de Elvira
Fortunato.Durante a comissão, a deputada
do PSD Sara Madruga da Costa, eleita pela Madeira, afirmou que "o local
próprio para esclarecer esta polémica (...) é na Assembleia da
República" e sublinhou que a audição a Elvira Fortunato "é o mínimo que
se exige face à gravidade do sucedido e ao alarme social que as
declarações da ministra causaram junto de centenas de famílias e
estudantes madeirenses". No dia 12, em
resposta a questões da Lusa, o Governo limitou-se a dizer que a revisão
do acesso ao ensino superior está em curso e "ainda a aguardar
contributos" de vários parceiros, sem confirmar a intenção de reduzir o
contingente.O PS/Açores
considerou "acertada" a decisão do Governo da República de manter o
contingente de acesso ao ensino superior para os alunos das regiões
autónomas, alegando que a matéria deve ser "intocável"."Esta
é uma decisão acertada sobre uma matéria que, na nossa perspetiva, deve
ser intocável, tendo em conta os objetivos definidos para a existência
de um contingente de acesso ao ensino superior para os estudantes da
nossa região", afirmou o vice-presidente do PS/Açores, Berto Messias,
citado em comunicado de imprensa.A notícia
divulgada pelo Público mereceu duras críticas dos executivos regionais e
de vários partidos com assento nas respetivas assembleias legislativas.