PSD e PS travam inclusão na lei de bases da saúde de envio de utentes em espera no SNS para o privado
Hoje 17:52
— Lusa/AO Online
As
posições assumidas pelos dois partidos inviabilizaram as iniciativas,
que visavam alterar a lei de bases da saúde para que fosse obrigatório o
encaminhamento dos doentes para fora do Serviço Nacional de Saúde (SNS)
sempre que este não consiga assegurar atendimento dentro dos prazos
máximos legalmente definidos.A proposta do
Chega foi apresentada pela deputada Patrícia Nascimento, que apelou ao
voto favorável dos restantes partidos e defendeu que o setor privado
“não pode ser um bicho papão” até porque o SNS já depende de privados
“nas suas funções mais básicas, como a limpeza, os meios complementares
de diagnóstico ou a lavandaria dos hospitais”.“O
Estado tem de acionar a capacidade existente, quer no social, quer no
privado, com regras de fiscalização, para que quem não consegue pagar um
seguro não fique condenado a esperar mais do que os outros”,
argumentou, depois de pedir que se ponha o “doente no centro do debate”.Pelo
PAN, Inês de Sousa Real sustentou que o direito à saúde “não pode ser
um campo de batalha ideológico” e que “defender o SNS é garantir que
ninguém fica para trás quando os tempo de resposta máximo são
ultrapassados”. “Se o SNS não consegue
responder em tempo útil, o Estado tem a obrigação de encaminhar a pessoa
para fora do SNS. Não com meros vales, com meros cheques, mas com
qualidade, com proximidade e com controle público rigoroso”, afirmou.Do
PSD, o deputado Francisco Sousa Vieira reconheceu as “boas intenções”
das propostas, mas disse que a iniciativa já está contemplada no plano
de emergência do Governo para a saúde, considerando que o executivo, ao
contrário da oposição, “resolveu o problema na prática, sem improvisos,
nem atalhos legislativos”.O
social-democrata Miguel Guimarães opôs-se a que se ponham “opções
políticas” na lei de bases, mas defendeu a sua revisão no âmbito da
reforma do Estado, alegando que a legislação atual “limita a capacidade
de resposta” do SNS.João Almeida, deputado
do CDS-PP, considerou que a questão central não é o recurso ao privado,
mas sim se há necessidade de alterar a lei de bases para consagrar uma
solução já prevista num decreto-lei do Governo. “Temos muitas dúvidas,
mas também não vemos problema em alinhar a lei de bases de saúde com
aquilo que é uma política certa. Virar a página em relação ao
socialismo”, ressalvou.A deputada do PS
Sofia Andrade disse que estas propostas dizem o mesmo que o decreto-lei
do Governo sobre a criação do Sistema De Informação Nacional de Acesso a
Consulta e Cirurgia (SINAC), acusando a deputada Patrícia Nascimento de
não ter lido o diploma.Para a socialista,
a articulação do SNS com os setores privado e social deve ser um
complemento e não “uma necessidade que resulta da falta de
investimento”, pedindo uma preocupação “a montante”, com “soluções para
fortalecer o SNS” quando se fala de utentes que já estão para lá dos
tempos máximos de espera.O deputado da IL
João Alves Ambrósio afirmou que as alterações propostas já estão
previstas na lei e classificou as iniciativas como “muito
pouchochinhas”, porque “mais não é do que os Governos PSD e PS
ofereceram nas últimas décadas”.Paula
Santos, líder parlamentar do PCP, acusou o Chega de querer “escancarar
as portas” do SNS “aos grupos privados que lucram com a doença” e
Patrícia Gonçalves, do Livre, argumentou que estas propostas parte do
pressuposto que o “incumprimento do SNS é inevitável” e que o papel do
Estado “passa a ser apenas o de encaminhar doentes para fora dele”.Já
Filipe Sousa, do JPP, defendeu que o Estado deve procurar garantir que
há um reencaminhamento para o privado quando o Estado não consegue
responder em tempo útil.