PSD e CDS-PP destacam “bom funcionamento” da coligação no Governo da Madeira

15 de out. de 2020, 11:05 — Lusa/AO Online

"Nós trabalhamos em unidade e a coligação tem funcionado muito bem. Não tem havido qualquer problema", disse à agência Lusa, quando se assinala o primeiro ano de mandato, reforçando: "Não foi uma coligação casuística. Assinámos um programa e um acordo de princípios entre os dois partidos e depois consubstanciámos num programa de governo que está sufragado pela população."Em 15 de outubro de 2019 tomou posse o XIII Governo Regional da Madeira, o primeiro de coligação em 43 anos de democracia, tendo como parceiro o CDS-PP, depois de o PSD, liderado por Miguel Albuquerque, ter perdido pela primeira vez a maioria absoluta que sempre detivera no arquipélago, nas eleições legislativas regionais de 22 de setembro desse ano."Quando iniciámos o mandato, estávamos com um crescimento económico há 81 meses, atingimos o valor mais alto do Produto Interno Bruto desde sempre - cerca de cinco mil milhões de euros - e estávamos com uma taxa de desemprego inferior a 8%", lembrou, realçando que a crise pandémica, a partir de fevereiro de 2020, "alterou completamente as circunstâncias e obrigou à reformulação das prioridades".Miguel Albuquerque assegurou que a coligação governativa manteve a "unidade" e a "concertação", sobretudo no período de emergência, em que foram tomadas "medidas difíceis", mas sempre “em conformidade” com os objetivos. "A reformulação das prioridades foi muito simples: primeiro, a salvaguarda da vida e da saúde pública da nossa população e, posteriormente, todo o apoio para a manutenção do funcionamento das empresas, sobretudo as mais afetadas, ligadas ao setor e à indústria do turismo, o apoio maciço às famílias e ao rendimento dos cidadãos", explicou.O presidente do executivo desvaloriza, por isso, a opinião dos partidos da oposição com assento parlamentar - PS, JPP e PCP -, que consideram o governo de coligação "mais do mesmo", "despesista" e "subjugado aos grandes interesses económicos". "Ainda bem que é mais do mesmo, porque é um governo que aposta no crescimento económico, que aposta na valorização da coesão social, que aposta no desenvolvimento integral da região e a oposição, de facto, está pior do que estava", declarou.Miguel Albuquerque critica, sobretudo, o PS/Madeira, o maior partido da oposição regional, afirmando estar "em perfeito coma", "sem programa" e com um "líder fraquíssimo" (Paulo Cafôfo)."É uma liderança que não tem consistência, não tem capacidade para apresentar uma alternativa, é demasiado fraca", reforçou.Por seu turno, o líder do CDS/Madeira, força partidária parceiro na coligação governamental, considerou que este projeto é "um momento histórico" que acontece pela primeira vez na região.Rui Barreto, que ocupa o cargo de secretário da Economia no executivo madeirense, destacou que este primeiro ano do atual Governo Regional fica "marcado pela pandemia" da covid-19, realçando a "capacidade revelada para conter a propagação da covid-19 na região".O governante admitiu ser "natural que existam divergências nalguns aspetos da governação”, mas sustenta que "nunca houve bloqueio da parte do PSD na resolução dos assuntos" e que "sempre houve abertura, frontalidade e há uma noção de compromisso entre as duas partes, e isso tem levado sempre à superação dos problemas".Para Rui Barreto, existem "três princípios que têm presidido à coligação: coesão, compromisso e responsabilidade". O Governo da Madeira, destacou, "está coeso e, certamente, nem o CDS nem o PSD desistirão do seu compromisso com todos os madeirenses".O responsável centrista madeirense enalteceu também "a capacidade com que o executivo da região respondeu aos pedidos de ajuda de todos os setores da sociedade madeirense" nesta crise provocada pela pandemia.No seu entender, o executivo tem sido "capaz de, num tempo muito curto e com meios exclusivamente do Orçamento Regional, criar um conjunto de medidas de apoio e de relançamento económico capazes de manter viva a esperança dos empresários e de milhares de trabalhadores"."Todas as medidas de apoio às empresas e às famílias que o Governo Regional da Madeira implementou foram desenhadas exclusivamente com as verbas do Orçamento Regional, sendo que, da República, até agora não chegou nada", sublinhou.Rui Barreto realçou também "a forma empenhada e arrojada" como ele próprio e o secretário centrista que tutela o Mar e as Pescas, Teófilo Cunha, "enfrentaram os desafios colocados pela pandemia global associada ao covid-19", considerando que "neste primeiro ano de governo há uma marca do trabalho desenvolvido pelo CDS no governo que merece nota positiva".Na sua opinião, "o arrojo, a criatividade, a rapidez de execução e o empenho são marcas do CDS no Governo da Madeira, fazendo valer a pena todos os votos no partido".O balanço, acrescentou, "prova que a presença do partido no executivo é uma mais-valia para a região”.