PSD diz ter “total disponibilidade para o diálogo”
Açores/Eleições
26 de out. de 2020, 00:58
— Lusa/AO Online
“Do ponto vista do quadro parlamentar que hoje
existe, posso garantir-vos humildemente a minha total disponibilidade
para o diálogo, para a concertação, e não haverá nenhuma declaração
unilateral sem antes interpretarmos a vontade do povo”, declarou José
Manuel Bolieiro.O líder social-democrata
açoriano falava na sede do partido em Ponta Delgada, após terem sido
conhecidos os resultados das regionais, que ditaram a perda de maioria
absoluta do PS.À porta da sede do
PSD/Açores, juntaram-se dezenas de apoiantes social-democratas, que
agitaram bandeiras do partido e da região e entoaram o nome do líder.Questionado
sobre uma possível coligação à direita para poder governar (que teria
de incluir CDS, Chega, Iniciativa Liberal e PPM), José Manuel Bolieiro
frisou que não se comove por “atitudes extremistas”.“Devo
afirmar hoje, como sempre, que atitudes extremistas e populistas não me
comovem, nem creio que interessam aos açorianos, mas também acho que os
açorianos já deram provas, e os seus representantes, de que não são
extremistas nem populistas”, afirmou.O
líder do PSD/Açores salientou que a nova composição parlamentar é “tão
polivalente que pode admitir tudo” e frisou que é o “parlamento que
determina a formação do governo”.“Reafirmo
a minha total disponibilidade para assumir responsabilidades, mas nunca
através de uma declaração unilateral, sempre com humildade, e
disponível para o diálogo e para a concertação que interprete bem a
vontade do povo”, apontou.Bolieiro disse que, face aos resultados eleitorais, a democracia açoriana “vive hoje uma noite histórica na autonomia”.Entretanto,
no Porto, o presidente do PSD, Rui Rio, rejeitou intrometer-se nas
decisões da estrutura regional dos Açores, mas admitiu que, tendo em
conta o fracionamento da direita, “não é fácil conseguir juntar todos os
partidos” numa maioria.O PS perdeu no
domingo a maioria absoluta nas eleições regionais dos Açores, só tendo
conseguido eleger 25 deputados do total de 57 parlamentares da
Assembleia Legislativa Regional.O PS
governa a região desde 1996, mas apenas nas eleições realizadas em 2000
obteve maioria absoluta, renovada nos escrutínios de 2004, 2008, 2012 e
ainda em 2016, ano em que obteve 30 mandatos.Para alcançar a maioria absoluta o PS teria de ter pelo menos 29 dos 57 deputados do parlamento açoriano.De
acordo com os resultados provisórios divulgados pela Direção Regional
de Organização e Administração Pública (DROAP), o PS ganhou as
legislativas regionais, ao alcançar 39,13% (40.701 votos).O
PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo
CDS-PP com 5,51% (5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um
parlamentar em coligação com o PPM.O
Chega, que concorreu pela primeira vez às regionais dos Açores, teve
5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou
3,81% (3.962 votos).O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP.A
Iniciativa Liberal, que também concorreu pela primeira vez à Assembleia
Legislativa dos Açores, conseguiu 1,93% (2.012 votos) e elegeu um
deputado, assim como o PAN, que teve percentagem idêntica e apenas menos
oito votos.A coligação PCP/PEV, que tinha
eleito um deputado há quatro anos, não conquistou nenhum mandato, tendo
obtido 1,68% (1.745 votos).