PSD diz ser “por princípio” contra novas amnistias a reclusos
9 de jan. de 2025, 16:35
— Lusa/AO Online
Hugo Soares foi
questionado no parlamento sobre o pedido da Igreja Católica para que os
deputados equacionem uma amnistia a presos no contexto do Jubileu de
2025.“Ainda não tive a oportunidade de ler
a carta que D. Américo Aguiar fez chegar à Assembleia da República,
pessoa pelo qual o Grupo Parlamentar do PSD e o PSD têm um enorme
respeito e consideração. Por princípio, o PSD não está de acordo que
haja novas amnistias”, afirmou.O líder
parlamentar recordou que houve uma amnistia durante o período da
pandemia de covid-19 e, mais recentemente, uma nova amnistia apoiada
pelo PSD que assinalou a visita do papa Francisco a Portugal durante a
realização da Jornada Mundial da Juventude, em 2023.Também
Chega e IL já se manifestaram contra uma nova amnistia, o que deverá
inviabilizar a iniciativa tendo em conta a atual composição parlamentar.Hugo
Soares foi ainda questionado sobre as críticas que fez, já divulgadas
na súmula da conferência de líderes, sobre o processo de desagregação de
freguesias, que irá a votos no dia 17.“É
uma pena que este processo tenha atropelado aquilo que foram muitas das
orientações da Comissão Técnica que acompanhou o Grupo de Trabalho”,
disse, reiterando alertas que deixou na reunião de líderes
parlamentares.No entanto, e uma vez que o
entendimento generalizado do parlamento é que o processo deveria ser já
votado, a bancada do PSD “subscreve o projeto que dará entrada e que
será votado no dia 17”.Quanto à futura
posição do Presidente da República neste processo, Hugo Soares referiu
que o PSD aguardará a decisão de Marcelo Rebelo de Sousa que, como em
todos os diplomas, poderá promulgar, vetar ou pedir a fiscalização da
sai constitucionalidade.“Se há alguma
posição do Sr. Presidente da República contrária àquela que será a
decisão da Assembleia da República, cá estaremos para avaliar”, referiu,
apenas.Na súmula da conferência de
líderes do dia 18 de dezembro, divulgada no final do mês passado,
ficaram expressas as dúvidas de Hugo Soares quanto à legalidade do
processo em curso para a desagregação de algumas freguesias e também
sobre a possibilidade de ser concluído em pleno ano de eleições
autárquicas.O líder parlamentar do PSD
referiu então ter informação de que muitos dos processos de desagregação
aprovados violam a lei e o parecer da comissão técnica. Questionou
depois se, para a conferência de líderes, “o que relevava era o
cumprimento da lei ou a vontade dos partidos”, e concluiu que não se
podia transformar aquele processo “numa guerra político-partidária” a um
ano das eleições autárquicas”.Hugo Soares
“manifestou dúvidas sobre todo o processo e, bem assim, sobre uma
alteração do mapa autárquico tão próximo das eleições autárquicas”.A
proposta conjunta para a reversão das freguesias agregadas em 2013,
apresentada no parlamento na quarta-feira, prevê que 132 Uniões de
Freguesia sejam desagregadas em 296 freguesias nas próximas eleições
autárquicas.O projeto de lei, subscrito em
conjunto pelo PSD, PS, BE, PCP, Livre e PAN, propõe a desagregação de
132 Uniões de Freguesia, mais oito do que as 124 que o grupo de trabalho
sobre o tema considerou, há cerca de um mês, preencherem os critérios
para a desagregação, em 296 freguesias, que voltam à situação
administrativa em que estavam antes da fusão prevista pela "Lei Relvas",
em 2013.Em 2013, Portugal reduziu 1.168 freguesias, de 4.260 para as atuais 3.092, por imposição da ‘troika’ em 2012/2013.