PSD diz que princípio de justiça intergeracional protege “mais novos e mais velhos”
Constituição
14 de nov. de 2022, 18:53
— Lusa/AO Online
“Em Portugal em
dimensões diferentes, quer jovens, quer pessoas mais velhas, têm hoje
causas específicas de sofrimento, insatisfação e de verdadeiro
esquecimento pela sociedade portuguesa e pelo Estado português”, afirmou
o vice-presidente do PSD António Leitão Amaro. O
PSD quer incluir na Constituição, entre as tarefas fundamentais do
Estado, a promoção da “coesão e a equidade entre gerações”, criar um
Conselho da Coesão Territorial e Geracional – um órgão que assegura uma
representação paritária das diferentes regiões do território e gerações –
, reduzir a idade legal para exercer o direito de voto dos 18 para os
16 anos e reforçar a dignidade na terceira idade.No
sábado, num artigo no jornal Público o social-democrata Pacheco Pereira
associou o conceito de “justiça intergeracional” que o PSD colocou como
um dos 40 eixos do seu projeto de revisão constitucional aos tempos da
governação PSD/CDS-PP no tempo da ‘troika’, que classificou como de
“ofensiva aos direitos dos pensionistas e reformados”.Questionado
pela Lusa, Leitão Amarão classificou este tipo de interpretações como
“absurdas e desajustadas” quer do projeto de revisão constitucional do
PSD, quer da atual liderança de Luís Montenegro, e considerou que
exemplo de “desrespeito pela equidade” foi a governação do socialista
José Sócrates pelas “decisões irresponsáveis” tomadas e que levaram ao
pedido de ajuda externa para pagar salários e pensões.O
dirigente social-democrata salienta, que a par de medidas mais
dirigidas aos jovens como a redução da idade legal de votar dos 18 para
os 16 anos, o PSD quer também alterar o artigo relativo à terceira
idade, enfatizando o seu direito “à segurança económica”, “a viver com
dignidade e segurança” ou “ao envelhecimento ativo e saudável”.“As
constituições mais modernas têm consagrada a justiça intergeracional e a
equidade, o PSD quer Portugal como um dos países liderantes na equidade
entre gerações e há razões para olhar para esses dois grupos com
vulnerabilidades especiais”, justificou.Questionado
se as alterações propostas pelo PSD poderão ter como objetivo facilitar
uma eventual revisão futura da legislação sobre segurança social, o
dirigente do PSD respondeu reiterando a acusação ao atual Governo
socialista de cortar mil milhões de euros nas pensões a partir de 2024
com o não cumprimento, no próximo ano, da fórmula legal das pensões.“Se
há alguma coisa no passado que inspira esta reforma, são os disparates
da governação de José Sócrates e quem não vê razão ou objeto para se
falar em justiça intergeracional esqueceu-se ou quer branquear que
constituíram um desprezo profundíssimo por gerações futuras”, criticou.Para
Leitão Amaro, estes conceitos de coesão e equidade geracional
concretizam-se “com cuidados e propostas específicas quer para a geração
dos mais jovens, quer dos mais idosos”.“Provavelmente
o nosso projeto é que o que preocupou mais em fortalecer a situação dos
mais velhos na formulação constitucional”, acrescentou.Na
sexta-feira, terminou o prazo limite desencadeado pela apresentação de
um projeto de revisão constitucional do Chega em 12 de outubro e todos
os seis grupos parlamentares e os dois deputados únicos entregaram
iniciativas, num total de oito diplomas, que serão agora discutidos e
votados numa comissão eventual a ser constituída.