PSD diz que Governo foi "insensível" às necessidades dos Açores
Covid-19
8 de jun. de 2020, 15:13
— Lusa/AO Online
Em declaração
política no parlamento, o deputado do PSD Paulo Moniz, eleito pelos
Açores, sustentou que, "no pico do estado de emergência, o Governo da
República afrontou o povo açoriano, ao recusar os pedidos para suspender
voos da TAP para os Açores". Esta decisão, lembrou, foi justificada pelo primeiro-ministro com a necessidade de se manter a continuidade territorial."Numa
altura em que o isolamento que muitas vezes é um entrave nas nossas
ilhas, podia tornar-se no nosso maior escudo de proteção, constatamos um
Governo da República insensível e alheio aos nossos anseios e
necessidades. (...) Na hora mais difícil para os Açores, em que a
disseminação do vírus ocorreu devido a casos importados, o Governo da
República foi insensato e deixou a região e os órgãos de governo próprio
entregues à sua sorte", prosseguiu o social-democrata.A
Europa, acrescentou Paulo Moniz, "está para a República como a
República está para as regiões autónomas", e nesse sentido "não se pode
festejar a tal bazuca económica que vem de Bruxelas sem efetivar uma
bazuca de soluções também para os Açores".O
parlamentar declarou também que o executivo de António Costa "vai pagar
à TAP, através do Turismo de Portugal, para concorrer diretamente" com a
transportadora açoriana SATA na sua "ligação histórica Ponta
Delgada/Boston, uma rota há muito consolidada" e "essencial para os
Açores".E concretizou: "Não há apenas uma
companhia aérea em Portugal. Há duas. E não podendo a região ir
diretamente a Bruxelas sem o aval do Governo da República, o mínimo que
se exige é concertação sobre esta matéria. É preciso mais ação e menos
conversa. Mais soluções e menos propaganda".Pelo
PS, a deputada Isabel Rodrigues, também eleita pelos Açores, defendeu
que Paulo Moniz trouxe ao parlamento um rol de questões "ignorando o que
foram os últimos três meses da vida do país", de combate à pandemia de Covid-19, e "fazendo um balanço como se nada tivesse acontecido"."Isto
não é uma crise dos Açores, senhor deputado. É uma crise de Portugal,
da Europa, do mundo. O senhor tem de abrir as suas vistas. Os Açores não
têm para si o valor que o senhor afirmou aqui hoje", disse,
dirigindo-se ao parlamentar do PSD.A
socialista valorizou ainda a indicação de que o Governo pretende que a
Madeira e os Açores possam aumentar o seu endividamento líquido até 10%
do Produto Interno Bruto (PIB) regional para responder aos impactos da
pandemia de covid-19, uma medida que representa 948 milhões de euros. “No
quadro do Orçamento Suplementar, a apresentar à Assembleia da
República, e tendo em conta as especificidades regionais e o impacto da
pandemia da doença covid-19 nas economias insulares, o Governo
considerará uma alteração ao artigo 77.º da Lei do Orçamento do Estado
para 2020, relativo às necessidades de financiamento das regiões
autónomas, que permitirá um aumento excecional do endividamento
líquido”, refere o Programa de Estabilização Económica e Social,
publicado no sábado à noite no Diário da República.Já
o Bloco de Esquerda (BE), pelo deputado Pedro Filipe Soares, lamentou o
que diz ser a "falta quase absoluta de diálogo" entre os "governos
socialistas" na República e na região autónoma, que "quase pareciam de
candeias às avessas" ao invés de cultivarem um "diálogo próximo,
profícuo".O CDS, por João Almeida, pediu
uma "maior dinâmica" do Governo dos Açores no campo económico,
defendendo que "todos" no país querem uma "recuperação rápida" deste
setor na região, numa fase em que está travada a pandemia.Já
a comunista Alma Rivera chamou a atenção para os trabalhadores
despedidos em 2018 na converseira Cofaco, na ilha do Pico, tendo na
ocasião sido anunciado o constuir de uma nova fábrica da empresa, o que
até ver não se verificou.Os Açores não
registaram, nas últimas 24 horas, novos casos positivos de covid-19 e a
região está desde sexta-feira sem qualquer caso ativo de infeção pelo
novo coronavírus SARS-CoV-2.No domingo, o
Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, valorizou o "momento
feliz" que os Açores vivem no combate à pandemia de Covid-19, não
apresentando casos ativos."Pude acompanhar
o percurso dos açorianos. Até este momento, que é um momento feliz para
todos, por não haver nenhum caso ativo, uma situação muito rara na
Europa e no mundo", destacou o chefe de Estado, que visitou o concelho
do Nordeste, na ilha de São Miguel.