PSD critica “propaganda” do Air Center e Governo Regional diz que projeto não é imediato
28 de nov. de 2017, 15:07
— Lusa/AO online
Na
Assembleia Legislativa Regional, na Horta, onde decorre o
debate das propostas de Plano e Orçamento regionais para 2018, o
deputado social-democrata Luís Rendeiro começou por questionar por que
razão o “primeiro supercomputador do país” vai para o Minho e não para
os Açores nem para a universidade local, no âmbito do projeto do Air
Center, a instalar na ilha Terceira.“Explique
aqui e agora esta derrota sua e da região perante o Governo da
República do seu partido que continua a dar provas sucessivas de que os
interesses dos Açores valem zero”, afirmou Luís Rendeiro, que pediu ao
governante para explicar quais os “investimentos concretos” que o
executivo prevê e para que ilhas, “para além dos anúncios e de
propaganda, ou de sedes vazias de conteúdo e de projetos”.Para o parlamentar social-democrata, “por este andar o centro do ar vai ser apenas isso, ar”. Já
Artur Lima, líder parlamentar do CDS-PP, referiu que o debate está a
ser “absolutamente surrealista, tal a especialidade deste governo” em
‘fake news’[notícias falsas].“Eu
esperava que o sr. secretário regional viesse aqui anunciar, tal a
ciência, tal a tecnologia, tal as inovações, não era um Air Center, mas
uma coisa mais evoluída”, declarou, ironizando: “Quando é que a NASA
transfere a sua sede para alguma ilha dos Açores, é o que vos falta
anunciar”.O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia, Gui Menezes, contrapôs
que começa “a ser um pouco ridículo” a forma como Luís Rendeiro fala de
um projeto de “grande importância para esta região”.“É
triste, mas é verdade, quanto menos alguém entende mais quer
discordar”, disse, acrescentando depois: “Não espere que existam
resultados deste projeto no dia a seguir, isso é de quem não percebe
nada do que é que é o Air Center e quais são as dificuldades que existem
na implementação de um projeto internacional desta envergadura”.Quanto
ao deputado Artur Lima, Gui Menezes considerou que, “no mesmo tom de
brincadeira, também não acredita em nada”, mas o Governo Regional tem
“pelo menos a coragem de ter ideias” e de puxar “os Açores para cima com
projetos desta envergadura”.O
deputado socialista José Contente considerou que CDS e PS são
reincidentes em desconfiar de tudo aquilo que são os primeiros passos e
tudo aquilo que é novo”.“O
Air Center e o Observatório do Atlântico (…) serão também duas
realidades, gostem ou não os senhores, fiquem ou não satisfeitos”,
disse, destacando que isso significa “qualificação da região, mais
emprego qualificado e mais oportunidades no emprego cientifico”.Quanto
ao supercomputador ir para a Universidade do Minho, Gui Menezes disse
desconhecer a existência na Universidade dos Açores de “grupos de
investigação relacionados com a supercomputação”, acrescentando que este
era um acordo que exista entre a academia minhota e a Universidade de
Austin-Texas”, mas que “ficará como mais uma infraestrutura que pode ser
associada ao Air Center”.O
secretário regional do Mar, Ciência e Tecnologia foi ainda questionado
pelo deputado do PSD Luís Garcia sobre a existência de uma dívida de um
milhão de euros ao Instituto do Mar, (IMAR) dependente do Departamento
de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, cujo encerramento
foi anunciado em outubro.“Isso não é verdade, temos de facto uma dívida de 350 mil euros neste momento com o IMAR”, garantiu Gui Menezes.